O presidente da CPI da Telefonia – que investiga denúncias de grampos no Palácio Iguaçu e em comitês eleitorais –, Tony Garcia (PPB), acredita que a Telepar Brasil Telecom mentiu no comunicado oficial que publicou na imprensa. A empresa afirma que não foi constatado grampo no telefone da ex-secretária da Administração Maria Elisa Paciornik, mas apenas um fio paralelo. A Telepar sustenta ainda, oficialmente, que o único grampo que tem conhecimento foi o da Distribuidora de Petróleo Ocidental, denunciado ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Sérgio Vosgerau, gerente jurídico da Telepar, declarou à Folha que não foi constatado grampo no gabinete da ex-secretária.
Baseados nos depoimentos de Edgar Fontoura Filho (ex-funcionário da área de segurança da Telepar e dono da Defense, empresa que faz serviços de varredura) e Jefferson Martins Storrer (ex-funcionário da Telepar) – ouvidos ontem pela segunda vez –, os integrantes da CPI decidiram convocar o ex-presidente da operadora Jorge Jardim Filho.
Storrer, que participou da varredura na linha do gabinete da secretária junto com o técnico Jamil Silvestre, disse que a irregularidade permitia escuta ilegal. Fontoura também afirmou que a escuta era possível. Storrer disse que a linha da secretária foi regularizada por ordem de superiores da Telepar. O desligamento do fio paralelo impossibilitou que o mandante fosse encontrado. Storrer admitiu que a atitude correta seria acionar a polícia. ‘‘O correto seria avisar a polícia, mas recebi ordens superiores para normalizar a linha’’. Assim que desconfiou do grampo, a ex-secretária solicitou uma varredura à Telepar e em seguida acionou o Ministério Público, em outubro de 1999. O grampo foi constatado e o inquérito está hoje sob responsabilidade do 3º Distrito Policial.
A varredura apontou apenas que a ‘‘ponta’’ da escuta estava em um escritório de advocacia na Rua Colombo. O advogado José Maria Nascimento, dono do escritório, declarou à CPI que não tem envolvimento nenhum com o episódio. Fontoura e Storrer alegam que são inocentes e que não participaram do grampo. Eles não sabem quem seria o mandante. Ambos foram demitidos da Telepar. Fontoura lamentou o fato, mas não explicou porque foi afastado. Storrer comentou que foi por ‘‘incompatibilidade’’. A CPI solicitou cópia das rescisões dos contratos.
Por enquanto, o foco das investigações vai permanecer na Telepar. As apurações em torno do Palácio Iguaçu serão intensificadas em reuniões subsequentes. Na próxima sessão, marcada para terça-feira pela manhã, serão ouvidos Vosgerau e Silvestre. Os deputados também pretendem ouvir o ex-diretor de Jornalismo da Rede Paranaense Marcos Batista. Maria Elisa disse que a TV Paranaense teria uma fita – que acabou não indo ao ar – onde ela insinuaria que o responsável pelo grampo em seu gabinete seria o ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis. Maria Elisa disse que não sabe quem foi o mandante. Gionédis disse que também foi vítima de escutas clandestinas, e a CPI quer ouvi-lo.
Os depoimentos de Gerson Guelmann, secretário especial da Chefia de Gabinete do governador Jaime Lerner (PFL), e do coronel Luis Antonio Borges Vieira, chefe da Casa Militar, ainda não têm data marcada.

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