O promotor Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, responsável pelo processo sobre o assassinato da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), em dezembro passado, admitiu ontem a hipótese de que o deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL) possa ter ‘‘aliciado e induzido’’ o testemunho do jardineiro Valmir Pereira Campo.
O jardineiro afirmou na última sexta-feira, em depoimento ao juiz da 1ª Vara Criminal de Maceió (AL), Daniel Acioly, que viu o pistoleiro Maurício Novaes, conhecido como ‘‘Chapéu de Couro’’, no carro utilizado pelos assassinos da deputada a menos de 50 metros da casa onde ela morreu ao lado de três parentes. ‘‘Com o depoimento do jardineiro, o caso ficou meio enrolado, mas ainda tenho a convicção de que o mandante foi o Talvane Albuquerque’’, disse o promotor.
Após o assassinato de Ceci Cunha, Albuquerque tornou-se o principal suspeito de ser o mandante do crime. Como não se elegeu deputado federal, ficou como primeiro suplente em sua coligação. Com a morte de Ceci, assumiria o seu posto no Congresso. Outro deputado federal alagoano, Augusto Farias (PPB), irmão de PC Farias, teria descoberto que seria a vítima escolhida por Albuquerque. Devido a isso, a polícia acredita que Albuquerque tenha mudado o alvo, já que Farias reforçara sua segurança.
O principal problema da versão de que Chapéu de Couro teria participado da morte de Ceci Cunha, a mando de Albuquerque, reside no fato de que o pistoleiro o delatou ao deputado Augusto Farias.
Cerca de 40 dias antes da morte da deputada, Augusto Farias se encontrou com Chapéu de Couro, que lhe contou que Albuquerque queria assassiná-lo. Farias gravou conversas telefônicas entre o pistoleiro e Albuquerque.
Essas fitas colocaram Albuquerque como principal suspeito do assassinato e gerou um processo de cassação do mandato dele na Câmara dos Deputados, que será definido pelo plenário no próximo dia 7.
A dúvida sobre o mandante da chacina é alimentada pelo próprio Albuquerque. Hoje, ele pretende distribuir a todos os deputados federais cópia do depoimento do jardineiro com o objetivo de reverter o quadro favorável a cassação de seu mandato. Albuquerque quer provar que, se o pistoleiro Chapéu de Couro é um dos autores da chacina onde morreram Ceci Cunha e três outros parentes seus, ele estaria livre da acusação, já que teria sido vítima de uma ‘‘armação política’’ para incriminá-lo.
Assim como o jardineiro, o promotor Márcio de Albuquerque decidiu tomar novo depoimento de Augusto Farias, que havia falado ao Ministério Público na sexta-feira passada, horas antes das revelações do jardineiro. Procurado pela reportagem, em Maceió (AL), Augusto Farias se limitou a dizer, por meio de assessores, que só fala do caso após a cassação de Talvane Albuquerque.

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