Depoimento no MP termina em bate-boca
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Terminou em confusão no final da tarde de ontem, na sede do Ministério Público (MP) em Londrina, o depoimento do empresário Assad Jannani aos promotores de Defesa do Patrimônio Público Leila Voltarelli e Renato de Lima Castro. Assad foi o nono de 11 ex-funcionários de Barbosa Neto (PDT), na Assembleia Legislativa (AL), intimados a depor via carta precatória dentro da investigação do chamada Operação Gafanhoto.
Ex-chefe de gabinete do então deputado estadual Barbosa, e antes, na eleição municipal de 2000, vice na chapa do pedetista, Assad teve a prisão pedida por Castro depois de supostamente ter cometido crime de desacato à autoridade. O promotor garante que o empresário chamou o promotor de imbecil durante o depoimento. Assad alegou que o adjetivo foi empregado às perguntas feitas a ele.
O depoimento não durou nem uma hora e aconteceu após a oitiva do ex-assessor na AL e coordenador da última campanha de Barbosa, o publicitário Renato Mantovani. Segundo o MP, as oitivas foram requisitadas na carta precatória emitida pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba, Odoné Serrano. Uma das supostas assessoras-fantasma seria a esposa de Assad, Dulcinéia, também arrolada para depoimento.
Assad teria se descontrolado no momento em que os promotores negaram que ele levasse consigo cópia do depoimento. Do lado de fora da sala, no andar de baixo, gritos de imbecil começaram a ser ouvidos. Nesse momento, o promotor desceu e requisitou força policial. Diante do bate-boca, repórteres e outros promotores do prédio presenciaram o embate: Quando um promotor me pergunta para que servia a gasolina, é uma pergunta imbecil, afirmou Assad, para quem a negativa em receber cópia do depoimento à qual, aliás, ele retirou à revelia das mãos da promotora era um crime. O senhor me chamou de imbecil, defendeu-se Castro. O senhor me mandou calar a boca. Vocês não estão preparados para exercer a função nobre da promotoria. Estou me recuperando de um ataque cardíaco, vim aqui de boa vontade, não para ser ofendido nem ter o direito de cidadão tripudiado. Nunca vi um promotor dizendo que não dá a cópia do depoimento; isso não existe, é um direito constitucional, disparou Assad.
Presente ao local, o procurador do MP em Curitiba, Leonir Batisti, resumiu: O promotor está fazendo o serviço dele. A pessoa pode até discutir que ele deve agir de uma forma, ou de outra, mas isso não dá a ela o direito de dizer que ele é imbecil. E ele chamou primeiramente o promotor dessa forma; pedi calma, e ele disse que as perguntas são imbecis. Sobre a cópia do depoimento, Batisti declarou que ela não poderia ser fornecida já ontem ao depoente tendo em vista que a esposa dele ainda não depôs. Mas ele se irritou também em relação às perguntas antecedentes a isso.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, disse que seria lavrado ontem mesmo o procedimento para apurar desacato, em um termo circunstanciado, mas a medida foi adiada para segunda à tarde devido à condição de nervosismo de Assad. Ao sair, já acompanhado do advogado Carlos Alberto Paolielo, Assad respondeu aos jornalistas: O fato é que não me irritei, não chamei o promotor de imbecil, e sim, a pergunta dele. Não me arrependo de nada do que fiz, me arrependo do que não fiz. O que, por exemplo? Não tenho nada a declarar. Questionado se Barbosa mantinha fantasmas no gabinete, entrou no carro e partiu.


