Depoimento na PF compromete Jader
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sexta-feira, 06 de julho de 2001
Agência FolhaDe Belém 
O processo de desapropriação da Fazenda Paraíso não obedeceu aos trâmites normais, sendo enviado para Brasília antes de ser apreciado no Estado, segundo o ex-delegado do Ministério da Reforma Agrária no Pará Ronaldo Barata. Causou-me estranheza um processo sem litígio como esse caso ser remetido para o ministério, disse Barata, que atualmente é presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e prestou depoimento ontem ao delegado da Polícia Federal Luiz Fernando Ayres Machado, responsável pelas investigações sobre a venda ilegal de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) da Fazenda Paraíso que só existiu no papel.
Na época, o ministro da Reforma Agrária era o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). A desapropriação ocorreu em 1988. Barata disse que quem enviou o processo para Brasília foi o seu adjunto, Henrique Santiago (que já morreu). Ele lembrou que Santiago dizia ser amigo de Laércio Barbalho, pai do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O ex-delegado disse que não queria Santiago como adjunto, mas teve que aceitá-lo por forças das indicações políticas.
O pedido de remissão do processo teria sido feito pela Diretoria de Assuntos Fundiários, cujo o responsável era Antonio Pinho Brasil, aliado de Jader e condenado em primeira instância pela desapropriação fraudulenta. Machado deve ouvir Pinho Brasil na próxima semana. O delegado está em Belém para ouvir cinco pessoas envolvidas no caso, inclusive o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), que deve depor na terça-feira.
Machado disse que espera confirmar se houve ou não intermediários na venda das TDAs falsas ao ex-banqueiro Serafim Morais. No seu depoimento, o empresário afirmou que viu Jader no Hotel Hilton, em São Paulo, no mesmo dia em que comprava as TDAs falsas do suposto proprietário da fazenda, Vicente Pedrosa da Silva.


