Curitiba - As investigações da CPI das Universidades na Assembléia Legislativa devem tomar um rumo diferente daquelas que já vinham sendo realizadas pelo Ministério Público (MP) de Ponta Grossa. O depoimento do ex-chefe do setor de receita da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Darci Santos, aos deputados, na última terça-feira, não bate com a versão apresentada ao MP. Na CPI, Santos acusou integrantes da adminstração anterior de articularem esquema de desvio de dinheiro da tesouraria para o pagamento de cursos de mestrado do ex-reitor Roberto Frederico Merhy e do atual vice-reitor, Ítalo Sérgio Grande.
O assessor jurídico do MP de Ponta Grossa, Carlos Fabiano Goulart, não quis dar detalhes das investigações, pois os trabalhos ainda estão em andamento, mas garantiu que Santos em seu depoimento ao órgão não fez nenhuma relação entre o esquema de desvio e o pagamento dos mestrados.
Goulart informou que dois procedimentos distintos estão em andamento no órgão. Um refere-se a denúncias de suposto desvio de verbas da UEPG, que envolveriam os nomes de Darci Santos, do ex-chefe da divisão financeira Gabriel Inácio Kravchychyn, e do ex-pró-reitor de Administração Nadir Laidane. A outra investigação diz respeito ao pagamento de mestrado sem autorização do Conselho Universitário.
A CPI já definiu que vai fazer a acareação entre Santos, Kravchychyn e Laidane, mas até ontem não tinha data marcada. O presidente da CPI das Universidades, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), disse ontem que a comissão está analisando documentos do Tribunal de Contas (TC) sobre a contabilidade da universidade e vai tomar depoimento de outros funcionários da UEPG.
Segundo Bradock, em depoimento na última terça-feira, vigias da UEPG relataram que, em 2003, houve adulteração de folhas de frequência, com o apontamento de horas-extras (retroativas a um ano) nunca realizadas para regularizar o pagamento da gratificação de Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (Tide).
A Folha tentou contato com todos os citados na matéria. Na casa de Merhy, a informação é de que ele está viajando. O filho de Naidane disse que seu pai não se manifestaria sobre o assunto. Kravchychyn e Ítalo Grande não retornaram as ligações. A assessoria de imprensa da UEPG informou que o atual reitor, Paulo Roberto Godoy, não irá se pronunciar sobre as investigações da CPI.

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