Depoimento frustra deputados de CPI
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os parlamentares da CPI do Porto de Paranaguá ficaram frustrados com o depoimento do diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), Carlos Alberto Wanderley Nóbrega, prestado na sessão da comissão ontem de manhã. ''Ele não contribuiu em nada. Mostrou uma frouxidão da Antaq quanto às irregularidades que ela mesma levantou. Eles, que têm os poderes de exigências junto ao porto, não estão exigindo'', reagiu o presidente da CPI, Valdir Rossoni (PSDB).
Os parlamentares acreditavam que o depoimento do diretor-geral pudesse dar novos rumos para a CPI. A expectativa é que fossem apresentadas as respostas da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e medidas a serem tomadas pela agência em relação a uma lista de 21 irregularidades apuradas no porto por técnicos da Antaq.
O relatório foi encaminhado à Appa pela Antaq, que estabeleceu um prazo para que a administração apresentasse documentos e explicações necessárias. ''Eles encaminharam as respostas dentro do prazo. Dos 21 pontos, a Antaq considerou que nove foram esclarecidos e outros 12 ainda necessitavam de maiores detalhes'', afirmou Wanderley Nóbrega. Por esse motivo, entre hoje e sexta-feira uma comissão da Antaq estará em Paranaguá. ''Vamos pegar as últimas informações, verificar a situação in loco para depois fechar o relatório final'', disse. Ele acrdeita que o relatório seja concluído até o final deste mês.
Nóbrega citou os três principais problemas verificados. ''A dragagem é o principal problema do porto, porque não adianta ter boas instalações se um navio não puder chegar lá. Outro problema são as avarias. O porto não está tomando as providências necessárias para a preservação do patrimônio público'', afirmou. O terceiro problema citado foi a falta de diálogo da administração com os usuários. Sobre os produtos geneticamente modificados, a Antaq quer que a Appa apresente uma esquema que comprove sua capacidade de identificar e separar esses produtos.
O que irritou os deputados foi o fato da Antaq considerar que, mesmo sem dar as explicações necessárias, a administração do porto tem mostrado boa vontade em solucionar os problemas. No caso da dragagem, por exemplo, Nóbrega afirmou que ''o porto está tomando ações para recompor a dragagem''. Ele admitiu, no entanto, que a agência não entendeu o porquê de a Appa não ter aplicado nesta área já no ano passado.
Balanço financeiro de 2003 mostra que a Appa tinha disponível, no fim do ano passado, R$ 136 milhões e que foi investiu no mesmo ano apenas R$ 229 mil. ''Não dá para entender por que eles não aplicaram na dragagem?'', questionou o diretor da Antaq.


