Curitiba - A Justiça Federal também ouviu, na segunda-feira, outros três réus de um dos processos desencadeados após a Operação Lava Jato. Entre eles, o gestor e sócio da Sanko Sider e da Sanko Serviços, Márcio Andrade Bonilho, que admitiu que pagou comissão entre 3% a 15% dos contratos que firmava com empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef e que parte dessa comissão era repassada aos próprios diretores da Camargo Corrêa: o vice-presidente Eduardo Leite e o diretor de óleo e gás, Paulo Augusto Santos da Silva.
Segundo Bonilho, ele procurou Youssef para tentar, através do doleiro, contato com os representantes das empreiteiras para a venda de tubos importados. "Precisávamos nos inserir no mercado e contatamos o Youssef, que usou seus contatos para vender nossos produtos, em troca de comissão. Eu não sabia qual era a influência dele, mas nos deu resultado, me abriu várias portas, fechamos uns 10 contratos", contou, citando como principal acordo intermediado por Youssef o fornecimento ao Consórcio Nacional Camargo Corrêa (CNCC) de R$ 150 milhões em tubos para a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Bonilho relatou que o "comissionamento" era feito no êxito do negócio e, dependendo da margem de lucro obtida, podia variar de 3% a 15%. "Da parte que eu repassava ao Youssef a título de comissão, ele disse que tirava repasses para o Eduardo Leite e o Paulo Augusto, mas isso era um acordo entre eles, eu pagava o acertado com o Alberto Youssef", contou, dizendo que, neste contrato, pagou R$ 29 milhões em comissão. Para fazer os repasses, o empresário disse ter "contratado" serviços nunca prestados das empresas MO Consultoria e GFD, ambas utilizadas por Youssef.
Bonilho disse desconhecer a participação de Paulo Roberto Costa nos negócios dele com as empreiteiras e Youssef. "No nosso negócio o Paulo Roberto Costa não levou um centavo, só levou a fama", declarou.
Em nota, o CNCC disse que "o fornecimento dos produtos e serviços ocorreu em processo de concorrência e, por conseguinte, pelo melhor preço de mercado à época dos fatos". "Reitera também a lisura de seus procedimentos e de seus profissionais, reafirmando que jamais fez pagamentos para as empresas de Alberto Youssef, não podendo responder por pagamentos efetuados por terceiros", conclui.

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