Depoimento explica morte de juiz
Nelson Francisco
Agência Estado
De Cuiabá
O juiz Leopoldino Marques do Amaral, assassinado em setembro, no Paraguai, investigava o envolvimento de membros do Judiciário de Mato Grosso com o narcotráfico e o crime organizado na fronteira do Brasil com a Bolívia e Paraguai. As revelações constam de novos depoimentos que a escrevente Beatriz Árias Paniágua, acusada de co-autoria do crime, fez no fim de semana, no segundo inquérito que apura a morte.
Antes de desaparecer, disse Beatriz, o juiz viajou em 2 de setembro para Cáceres, a 210 quilômetros de Cuiabá, Oeste do Estado, fronteira do Brasil com a Bolívia. Na cidade, ele manteve contato com três advogados e uma mulher, que havia dado o nome fictício de Ana Maria da Silva, que teria repassado ao magistrado um envelope contendo documentos.
A documentação comprovaria o pagamento de propina a desembargadores em troca da anulação das sentenças do grupo do traficante Valdenor Alves Marchezzan. O traficante foi condenado a 12 anos de prisão por tráfico de drogas num episódio ocorrido em 1997, em Chapada dos Guimarães (MT), o qual ficou conhecido no Estado como A Cocaína que Caiu do Céu.
Enquanto o advogado tentava anular a condenação, o traficante permaneceu foragido. Ele havia sido condenado anteriormente, em Santo André, no Grande ABC (SP), em abril de 1992.
Leopoldino, que estava sendo acossado depois de formular acusações contra o Judiciário do Estado, foi até Cáceres (MT), onde se encontrou com Ana Lúcia e recebeu dela documentos dentro dentro de um envelope. A documentação, que estava no carro do juiz quando ele foi assassinado, desapareceu.
O advogado criminalista Everaldo Batista Filgueiras confirmou que os documentos entregues a Leopoldino comprometiam membros do Judiciário. Naquela oportunidade, Filgueiras alertou delegados e juízes em Cáceres, durante o almoço com Leopoldino, no Restaurante Kaskata Flutuante, que o juiz corria sério risco de vida em função das provas que havia obtido. Depois da viagem a Cáceres, Leopoldino desapareceu e foi encontrado morto no Paraguai, em 7 de setembro.





