O juiz da Vara Criminal Federal em Londrina, Douglas Camarinha Gonzales, adiou o interrogatório do empresário e doleiro Alberto Youssef, inicialmente marcado para ontem. Acusado de movimentar R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, Youssef foi denunciado pelo procurador-geral da república, Mário Ferreira Leite, por crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O adiamento foi pedido pela defesa de Youssef.

A denúncia contra Youssef e mais quatro pessoas foi proposta em 28 de junho, porém o juiz recebeu apenas a acusação de crime contra o sistema financeiro. Gonzales entendeu que os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha estão em fase de instrução na Justiça Estadual. Com isso, o réu não poderia ser processado duas vezes pelos mesmos crimes. Mário Leite recorreu ao Tribunal Federal da 4 Região (em Porto Alegre) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por entender que o processo é competência da Justiça Federal.

O adiamento dos interrogatórios foi requisitado pelo advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho. Ele pediu que os interrogatórios só ocorram após o STJ e o Tribunal Regional analisarem os recursos do procurador. ''Pedi que o ato fosse cancelado para evitar que o cidadão passe pelo absurdo de responder duas vezes pelo mesmo fato'', alegou.
Apenas o cunhado do doleiro, Eroni Miguel Peres, também réu no processo, compareceu à Justiça Federal na companhia de seu advogado, Antonio Figueiredo Basto, e não quis falar com os jornalistas. Bastos também defende o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), das acusações de ter movimentado um caixa 2 na campanha do ano passado.

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