Depoimento de vereador pode ser alvo da Comissão de Ética
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Edson Ferreira e Paula Barbosa Ocanha <br> Reportagem Local 
A Comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Londrina foi pressionada por parlamentares da Casa na sessão de ontem para adotar medidas em relação ao depoimento do vereador Amauri Cardoso (PSDB) ao Ministério Público (MP) na última segunda-feira - no qual afirma que o vereador Joel Garcia (PP) articularia pagamentos de propinas a vereadores para manutenção da Lei da Muralha. Joel Garcia nega. Anteontem, em entrevista à FOLHA, ele afirmou que vai processar o tucano. Ontem o pepista estava em viagem.
O vereador Antenor Ribeiro (PSC) foi o primeiro a falar da importância de uma investigação conduzida pela Casa. ''O corregedor tem que tomar alguma atitude a respeito dessas coisas. Não podemos pecar pela omissão'', cobrou. O vereador Rony Alves (PTB), na sequência, afirmou concordar com Ribeiro. ''É por isso que existe a Comissão de Ética nessa Casa. Se algum vereador me procura para oferecer propina, eu procuro o corregedor, mas não é necessário alguém procurar para que o corregedor investigue'', disse. Outros vereadores também se manifestaram para cobrar um posicionamento da Comissão de Ética. Atualmente, a Comissão de Ética é formada por Rodrigo Gouvêa (PTC), presidente, Jacks Dias (PT), vice-presidente, e Jairo Tamura (PSB), corregedor.
Após as críticas, o vereador Gouvêa resolveu se reunir com os demais vereadores e juntos eles fizeram um documento direcionado ao vereador Cardoso para que ele ofereça a denúncia à comissão. ''Se ele diz que nos corredores da Câmara as pessoas falam as coisas, ele tem que apontar nomes. Nós queremos investigar, mas precisamos de provas'', explicou.
Há mais de 60 dias o vereador Cardoso também foi colaborador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do MP, por conta de denúncias de compra de apoio político de vereadores - o que resultou na prisão de pessoas ligadas ao prefeito Barbosa Neto (PDT) e do vereador Eloir Valença (PHS). Sobre um possível processo contra Valença por quebra de decoro, Gouvêa afirmou que a comissão está em posse dos documentos do Gaeco, mas ainda é necessário fazer a transcrição das conversas telefônicas que citam o parlamentar. ''É um material muito extenso, precisamos ver todas as provas antes.'' A demora, segundo ele, é porque a Casa está ocupada com a CEI da Educação e a CP da Centronic.
A única denúncia à Comissão de Ética formalizada nessa legislatura foi feita por Rony Alves em 2010 contra o ex-vereador Paulo Arildo (PSDB) por suposto esquema de racha de salário com assessores após a condenação do tucano em primeira instância pela Justiça. Quatro meses após a abertura do procedimento, Arildo renunciou ao cargo, o que gerou o arquivamento do processo.


