'Depoimento de Soraya perdeu o interesse'
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sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), atribuiu ''à perda de interesse do PSDB'' o adiamento do depoimento da ex-assessora financeira da sua campanha, Soraya Garcia, na sub-relatoria de Movimentação Financeira da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios.
O requerimento de convocação da ex-assessora foi assinado pelo deputado Eduardo Paes (PSDB) e o depoimento estava agendado desde o início do mês. Conforme a assessoria de imprensa da CPMI, a oitiva foi adiada devido ao excesso de trabalho dos parlamentares na quarta-feira. ''A CPMI está a maior confusão. Nem o PSDB sabia bem por que a estava convidando para ir lá. A votação do processo de José Dirceu já está marcada para uma semana depois do feriado. Se o objetivo de levar a Soraya lá era para ficar fazendo acusações mentirosas contra o José Dirceu, já perdeu o sentido. Acho que o próprio PSDB já não tinha mais interesse'', afirmou Nedson. Soraya é a autora das denúncias de irregularidades na prestação de contas da campanha de Nedson. Segundo ela, além dos R$ 1,3 milhão de despesas declaradas à Justiça Eleitoral, a campanha teria gasto R$ 5,2 milhões a mais. As denúncias geraram a abertura de dois inquéritos na Polícia Federal (PF).
O prefeito demonstrou indiferença em relação ao possível depoimento de Soraya na CPMI. ''Não faz diferença nenhuma. A mentira que ela fala aqui e a mentira que ela fala lá não faz diferença nenhuma'', disse.
Nedson ainda disse que considera ''ruim'' a paralisação das investigações. ''Tenho interesse que ela ande com rapidez. Quero fazer a minha defesa'', justificou. Os inquéritos estão suspensos desde o dia 22 de setembro, devido dois recursos ajuizados pelo PT no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Nos recursos, o PT pede que seja revertida a quebra dos sigilos bancários do prefeito, do partido e de outros três dirigentes decretada pelo juiz, e que seja revertida a suspensão do repasse do Fundo Partidário para o diretório local. A Corte do TRE analisa o mérito dos recursos no dia 17. ''Quem atrasou as investigações foram as ações do Ministério Público que começou misturar a investigação do PT com a campanha, de pessoas que contribuíram com sua mensalidade como filiados do partido com as investigações da campanha'', afirmou.
O prefeito cobrou do MP as medidas em relação a denúncia feita pelo PT, de irregularidade nas contas do então candidato a prefeito pelo PSDB, Luiz Carlos Hauly. ''Não estou vendo agilidade nenhuma da ação que tem que ser impetrada contra o Hauly, que fez caixa 2 na campanha por declaração dele mesmo e até agora não vi essa ação andar. Espero que o MP aja com relação às contas da campanha do Hauly da mesma forma que está agindo nas contas da campanha do PT'', reivindicou. ''Ele (Hauly) pediu dinheiro para pagar dívidas de campanha, deu entrevistas em rádios dizendo que há dívidas de campanha e você olha a prestação de contas dele e não tem dívida nenhuma. Está lá, zeradinha, batendo até os centavos. Alguma coisa está errada'', argumentou.
A promotora da 41 Zona Eleitoral, Édina Maria de Paula, que estava ontem em Curitiba, não quis comentar as declarações do prefeito. O sub-relator da CPMI, Gustavo Fruet (PSDB), não foi localizado.


