Depoimento de Soraya deve ser no dia 9
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
A ex-assessora financeira da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia, autora das denúncias de irregularidades na prestação de contas petista, irá prestar depoimento na sub-relatoria de Fontes Financeiras da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, no dia 9. Apesar de já ter prestado depoimentos à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Eleitoral (MP), ela promete mais revelações sobre supostos gastos de campanha não declarados pelos petistas. O requerimento de convocação de Soraya, assinado pelo deputado Eduardo Paes (PSDB), foi aprovado no dia 24 de setembro.
No dia 27 de julho nove meses depois do pleito que garantiu o segundo mandado a Nedson Soraya procurou o Ministério Público Eleitoral (MP) e denunciou que a campanha teria custado R$ 6,5 milhões, R$ 5,2 milhões a mais do que o declarado na prestação de contas entregue a Justiça Eleitoral.
Em meio às denúncias de irregularidades na eleição municipal, Soraya citou o nome de lideranças nacionais do PT, como o deputado federal e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Nos depoimentos, ela relacionava telefonemas ou visitas a cidade com a chegada de recursos para a campanha.
''O que eu tenho em relação ao Paulo Bernardo vou dizer na CPI. Não quero ter problemas com ele a não ser lá (na comissão). Dele e do André Vargas (deputado estadual e presidente do PT no Paraná). Eles estavam ligados diretamente à campanha'', disse Soraya, sem revelar qual seria o fato a ser acrescentado. ''O que eu posso acrescentar em nível nacional é explicar como foi, como procederam as coisas e tentar colaborar com as investigações. Mostrar que o PT é igual em todos os lugares, a forma de utilização do caixa 2 do PT. Na minha opinião, até onde eu vi, o que eles fazem não é muito diferente do que aconteceu em Londrina'', complementou.
Soraya também promete apresentar uma agenda em que estariam registrados gastos de campanha não contabilizados. Essa agenda nunca foi apresentada às autoridades locais que investigam o caso. ''Essa agenda vou levar. Vou mostrar a relação do que comprei e o valor total do que foi gasto, quando foi pago, forma que foi pago, valor da folha de pagamento do pessoal da comunicação, candidatos, cabos eleitorais'', elencou. ''Espero poder elucidar tudo aquilo que a CPI vir a perguntar para mim.''
Para o advogado do diretório municipal do PT, João dos Santos Gomes Filho, a convocação de Soraya demonstra o aspecto político das denúncias da ex-assessora. ''A CPI é um inquérito parlamentar, um inquérito político. É um desdobramento do espetáculo circense que Londrina tem patrocinado. O que está acontecendo em Londrina é uma questão política e o fato dela estar indo para a CPI é só o coroamento do que tenho dito desde o começo'', afirmou.
A reportagem tentou falar com o sub-relator, deputado Gustavo Fruet (PSDB), mas ele não retornou as ligações.


