Brasília - O depoimento no Senado da presidente da Petrobras, Graça Foster, ontem, não fez a oposição desistir de instalar uma CPI para investigar a estatal. "Ficou claro que foi um mau negócio", afirmou o provável candidato tucano ao Planalto, Aécio Neves (PSDB-MG), em referência à compra da refinaria de Pasadena que pode ter gerado prejuízos bilionários à empresa. Aécio disse que ainda há a necessidade de investigar a diretoria da empresa e defendeu que o Senado aguarde um parecer da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as investigações.

Apesar de ter liderado desde o início os debates sobre a instalação da uma CPI para investigar a Petrobras, Aécio não compareceu ao depoimento da presidente da estatal. "Tomei certo cuidado para não mostrar que é um tema eleitoral. Estou me preservando para o grande debate com a chefe dela", explicou o senador. Ele disse que estava muito bem representado por senadores de seu partido.

Na contramão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), elogiou o desempenho de Graça durante a audiência que durou mais de seis horas. "Ela convenceu a todos que está procedendo rigorosa investigação interna", disse.

DEPOIS DA PÁSCOA
Mas o Senado vai deixar a votação do relatório da CPI da Petrobras para depois da Páscoa. O adiamento conta com a apoio da oposição, que prefere aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão. Esse é o mesmo argumento usado pelos governistas que tentam, a todo custo, protelar o início das investigações.

O relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR) defende a CPI "combo" da Petrobras, com assuntos indigestos a PSDB e PSB. Mas a oposição quer exclusividade para a estatal.

O clima no Senado é de conformismo com a ideia de que é melhor aguardar Rosa Weber dar sua posição sobre os recursos impetrados por oposicionistas e aliados da presidente Dilma. A ministra deve se manifestar na próxima semana. "Não vejo problema em deixar para semana que vem. Se essa for a decisão do governo, não vamos criar dificuldade", disse Aécio Neves, que se coloca a favor da CPI exclusiva da Petrobras.

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