O suposto pagamento de comissões a funcionários da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) foi reforçado ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pelo depoimento de um dos funcionários da empresa Tanato. Há duas semanas, oficiais do Gaeco localizaram na casa da namorada de Magno Linger Campos 12 CDs com as imagens do circuito interno de TV e dois livros com os registros contábeis entre 2004 e início deste ano. Neles, havia anotações como nomes, apelidos e iniciais ao lado de valores que variavam entre R$ 50 e R$ 1 mil. O Gaeco já indicou que o material, anexado a um segundo inquérito aberto referente ao caso, deve subsidiar indiciamento de outras pessoas que não as 13 da primeira investigação referente à suposta coação na oferta dos serviços de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres).
Campos prestou depoimento de mais de três horas ao delegado que preside as investigações, Alan Flore. Tanto o funcionário quanto seu advogado, o criminalista Walter Bittar, saíram sem dar declarações.
De acordo com o delegado, as informações prestadas pelo jovem foram ''bastante proveitosas'' no sentido de ''conformar a existência desse esquema de pagamento de comissões a funcionários''. Conforme o depoimento, continuou o delegado, a propina seria cobrada por um grupo de funcionários da autarquia que teria contato direto com familiares dos falecidos cujos corpos acabavam submetidos aos serviços de tanatopraxia.
''Pelo que o Magno explicou, a Tanato era obrigada a concordar com o pagamento dessas comissões - caso contrário, nenhum serviço de tanatopraxia seria repassado à empresa, haja vista que funcionários da Acesf que centralizavam a indicação das empresas prestadoras do serviço (em Londrina, duas)'', explicou o delegado.
Flore afirmou que não foram citados nomes no depoimento. ''Vamos ouvir outras pessoas relacionadas ao caso e e esperamos esclarecer a responsabilidade de todas elas'', encerrou. Atualmente, oito funcionários da Acesf seguem afastados dos cargos por liminar judicial de primeira instância referente a ação civil pública do escândalo da tanatopraxia.

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