Depoimento de ex-presidente irrita deputados
Curitiba - A sessão da CPI do Banestado, ontem de manhã, ficou tensa durante o depoimento do ex-presidente do banco, Domingos Murta Ramalho. Foi exatamente no período em que ele estava à frente da instituição, entre 1996 e 97, que ocorreu a maioria das 52 operações irregulares, envolvendo 11 empresas, e eleitas pela CPI para terem o sigilo bancário quebrado.
Durante as quase duas horas de duração de seu depoimento, Murta esteve o tempo todo extremamente nervoso. Sua explanação inicial, dizendo que atuou por diversos anos em diferentes bancos, adquirindo grande experiência na gestão de bancos públicos, acabou voltando-se contra ele. Segundo Murta, ''os bancos públicos no Brasil foram mal concebidos''. Todos, segundo ele, acostumaram-se a fazer operações sem o devido respaldo e garantia, na certeza de que estas diferenças seriam compensadas pela inflação alta de tempos atrás.
Com respostas evasivas, que abrangiam questões gerais do sistema financeiro e poucos detalhes sobre as operações do Banestado, Murta acabou irritando os deputados. ''Pedimos que o senhor seja mais objetivo e responda de forma direta as nossas perguntas'', queixou-se a relatora da CPI, Elza Correia (PMDB), ao questionar sobre as contas CC5 (exclusiva para não residentes no País) e usadas para a lavagem de dinheiro.
Segundo Murta, o Banco Central autorizou não apenas o Banestado, mas também outras instituições financeiras a operar com este tipo de conta. A partir de então, o Banestado e o Banco Del Paraná - braço do banco paranaense no Paraguai-Passaram a abrir estas contas como forma de dar rentabilidade ao banco. Ele calcula que estas contas chegaram a render mais de US$ 10 bilhões por dia ao banco. Todas as contas abertas, segundo ele, tinham um código e eram comunicadas, ''on line'' para o Banco Central.





