Depoimento de Cerveró frustra oposição
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Daiene Cardoso e Ricardo Brito<br>Agência Estado 
Brasília - Num depoimento de cinco horas e meia na Câmara Federal, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró se limitou ontem a fazer uma apresentação técnica sobre a operação de compra da Refinaria de Pasadena, do Texas (Estados Unidos). Mesmo com a pressão da oposição, Cerveró não confrontou a presidente Dilma Rousseff, disse que não houve a intenção de enganá-la e insistiu que a estatal fez um bom negócio à época.
"Não houve nenhuma intenção de enganar ninguém. Quer dizer, não há nenhum sentido de se enganar ninguém", respondeu ele. Cerveró disse que o documento que reunia todas as informações sobre o negócio foi encaminhado à diretoria da Petrobras, mas não soube afirmar se, além do resumo técnico, o Conselho de Administração da empresa teve acesso às 400 páginas detalhando a proposta. O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras afirmou que não tinha a responsabilidade, à época, de fazer esse encaminhamento.
Tido como "homem-bomba" do caso, capaz de colocar mais combustível aos apelos da oposição pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva da Petrobras, Cerveró, em nenhum momento, comprometeu a estatal e o governo. Tanto que no fim recebeu os cumprimentos dos deputados da base aliada. "Eu vi muitas tentativas de se colocar palavras na sua boca com um único intuito: atingir a presidente Dilma", afirmou o deputado Rosinha (PT-RS).
Durante o testemunho, o ex-diretor da Área Internacional da estatal ressaltou que as polêmicas cláusulas "put option" (de saída) e "marlim" (de rentabilidade do sócio) não eram relevantes. Conforme revelado em março, Dilma, quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, admitiu não ter tido acesso, no resumo que recebeu de Cerveró, às duas cláusulas na compra da refinaria. Ela afirmou que, se soubesse delas, não teria avalizado a operação.


