Depoimento de Bonato revela detalhes de 'suborno'
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quinta-feira, 17 de maio de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Logo após ser preso em flagrante pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - ligado ao Ministério Público (MP) -, o empresário Ludovico Bonato confessou aos promotores de Justiça que o suposto esquema de pagamento de propina em troca de apoio na Câmara de Vereadores era articulado por integrantes do alto escalão da administração. Em conversa gravada (veja reprodução de trecho no quadro abaixo), na sede do MP, depois de ter sido preso, no dia 24 de abril, Bonato afirma que foi até a prefeitura para se encontrar com o ex-secretário de Governo Marco Antonio Cito, de quem recebeu o dinheiro (R$ 20 mil) prometido ao vereador Amauri Cardoso (PSDB), que denunciou o esquema. As declarações do empresário constam do processo, de sete volumes, consultado pela FOLHA, e que corre na 3 Vara Criminal de Londrina.
Conforme afirmações do próprio Bonato ao promotor Jorge Fernando Barreto da Costa, por volta das 11 horas, ele vai até a ante-sala do gabinete do prefeito Barbosa Neto (PDT), onde foi informado pelo chefe de Gabinete da prefeitura, Rogério Lopes Ortega, que Cito já estava esperando. Após conversar rapidamente com o ex-secretário de Governo, os dois (Cito e Bonato) descem até a porta secundária do prédio, perto do estacionamento, local do encontro com o então diretor de Participações da Sercomtel, Alysson Tobias de Carvalho, que havia ficado encarregado de levar o dinheiro até a prefeitura.
Cito, então, vai até o carro de Alysson, onde pega um envelope que ''tava rasgadinho'', permitindo a confirmação de que havia determinado valor em espécie, porém, não há menção sobre a quantia no envelope. Conforme a investigação feita pelo MP, Alysson estaria levando os R$ 5 mil que instantes anteriores havia recebido do presidente da Sercomtel, Roberto Coutinho Mendes, na sede da telefônica. O próprio Coutinho admitiu ter feito o saque, mas sustenta que se tratava de um empréstimo para o diretor da empresa, que faria uma viagem a Curitiba para compromissos relacionados ao PDT.
Naquele momento, ao repassar o dinheiro, Cito, segundo Bonato, parece preocupado e comenta sobre o sigilo do procedimento. ''Ele falou: será que não tem ninguém vendo?'', contou o empresário. Na sequência, o empresário vai sozinho ao encontro do vereador Amauri Cardoso, que aguardava no escritório da Secretaria Estadual de Esportes, na rua Cambará, na área central de Londrina.
Depois da entrega da propina, Bonato ligou para Rogério Ortega para dizer que o dinheiro já estava com o parlamentar. ''Tá tudo certo, eu ligo pro Cito ou você passa informação pra ele?'', diz. Na resposta, Ortega disse que ''já falei com ele aqui, tá tudo tranquilo''.
Foram presos Bonato e Cito, que ainda se encontrava na prefeitura, enquanto que Ortega e Alysson foram presos uma semana depois. Os quatro, mais Coutinho Mendes e o vereador afastado Eloir Valença - que, conforme o MP, já havia aceitado a proposta de vantangem indevida - foram denunciados por formação de quadrilha e corrupção. Seguem detidos na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) Cito, Bonato e Ortega.



