Depoimento confirma terceirização de serviços
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Adifea), José Guilherme Hausner, admitiu ontem que a entidade terceirizou parte dos serviços para os quais foi contratada pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). A Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon) recebeu R$ 15 milhões dos R$ 16,8 milhões pagos pela Copel à Adifea. Hausner prestou depoimento ontem à CPI da Copel.
A Adifea foi contratada em outubro de 2002 para fazer o levantamento dos créditos tributários aos quais a Copel poderia pedir compensação. O valor apresentado chegava a R$ 156,4 milhões. Não houve licitação para o contrato, já que a ex-direção da Copel e a própria Adifea defendiam que a entidade era especialista no assunto e tinha notório saber.
''Dá a impressão que a Adifea estava no contrato apenas para que não houvesse uma licitação. Todo o serviço foi feito por uma empresa privada comum, que para fazer isso teria que participar de concorrência pública'', questionou o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), sub-relator para assuntos de créditos tributários da CPI da Copel.
Hausner defendeu a atuação da Adifea. ''Eles (a Embracon) fariam o trabalho braçal, de levantamento de informações e coleta de dados. A parte intelectual era de nossa responsabilidade'', afirmou ele. Mas ele admitiu que nenhum funcionário da Adifea trabalhou diretamente com o serviço contratado.
De acordo com Veneri, dos R$ 15 milhões recebidos pela Embracon pelos serviços, R$ 10,75 milhões foram repassados para a Mix Trade Comércio Internacional Ltda., empresa com sede em Vitória e filial no Rio de Janeiro. O pagamento teria sido feito para compra de equipamentos eletrônicos. A Mix Trade é uma das beneficiadas no esquema de créditos tributários da Olvepar comprados pela Copel, assunto que também é investigado pela CPI. A Mix Trade recebeu pelo menos R$ 2,5 milhões nessa operação.
O ex-coordenador da Receita Estadual João Manoel Delgado Lucena também depôs ontem na CPI da Copel. Ele afirmou que não concordava com o levantamento dos créditos tributários proposto pela Adifea. ''Eu expliquei que isso não era possível de ser realizado. O período analisado era antes da Lei Kandir, que regulamentou a compensão do ICMS para este tipo de transação. Se isto fosse realizado, avisei que traria um colapso no Estado'', declarou. Lucena reafirmou também que foi contra a operação entre a Copel e a Olvepar. (Com Rosana Félix)


