Depoimento confirma fraude na Sudam
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quinta-feira, 25 de abril de 2002
Rodrigo Sais Equipe da Folha 
Curitiba - O depoimento do empresário Theodoro Hubner Filho ao Ministério Público (MP) federal ontem confirmou a tese dos procuradores de que a implantação do projeto Usimar era apenas uma fachada para desviar recursos da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Hubner apresentou documentos que mostraram que a Usimar foi utilizada num esquema para desviar R$ 44 milhões da Sudam para a construção de uma fábrica de autopeças no Maranhão. O projeto nunca saiu do papel.
Um ponto que chamou a atenção dos procuradores foi a constituição da Usimar. O único capital declarado da empresa era um contrato no valor de R$ 102 milhões firmado com a ML Participações empresa que também é controlada por Hubner. É estranho que uma empresa recém-criada e com um projeto deficitário seja aprovada para receber R$ 690 milhões da Sudam para construir uma fábrica. Graças à atuação do Ministério Público e da Polícia Federal foi possível evitar que toda essa quantia fosse repassada, afirmou o procurador Mário Lúcio de Avelar, que coordena as investigações no Tocantins.
Segundo o procurador Nazareno Wolff, que investiga fraudes na Usimar em Curitiba, uma verdadeira ciranda financeira foi montada para disfarçar o desvio de verbas da Sudam. O dinheiro da Usimar era repassado para outras empresas laranjas e acabava voltando para a própria empresa, como se fosse o dinheiro que seria dado como contrapartida pela Usimar, explicou Wolff.
Os procuradores vão realizar auditorias para descobrir onde foi parar o dinheiro desviado da Sudam. Segundo um levantamento preliminar, apenas R$ 4 milhões efetivamente foram parar no Maranhão. O restante foi encaminhado ao exterior e a contas de empresas laranjas.
Hubner diz que nenhuma parte dos recursos ficou em suas mãos. De acordo com o empresário, duas pessoas realizavam as transações com o dinheiro: Valmor Filipetto e Amauri Cruz Santos, que serão ouvidos hoje pelos procuradores do MP. Cruz Santos também é réu da ação movida pelo MP estadual que resultou no afastamento do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido).


