Depoimento compromete ex-secretária de Educação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
A ex-secretária de Educação de Londrina Karin Sabec teria direcionado a cotação de preços para a compra de 40 mil uniformes escolares no começo deste ano. Segundo depoimento de uma servidora municipal à promotora de Defesa do Patrimônio Público Leila Voltarelli, Karin teria apresentado para o setor responsável pelas cotações uma lista com os nomes das empresas que deveriam ser consultadas. O que chama a atenção do Ministério Público (MP) do Paraná é que na lista da ex-secretária - que também foi entregue à promotora - constam empresas que já são rés em ação de improbidade administrativa, por suposta fraude na licitação que ocorreu em 2011, conforme ação já apresentada à Justiça.
Uma das empresas que deveria ser consultada para a cotação, segundo contou a servidora em depoimento, era a BYD Indústria e Comércio de Confecções, cujo nome da responsável é Rosângela Kriswill, sobrenome que remete à empresa Kriswill Comércio de Confecções e Bolsas, que já era investigada pelo MP. Conforme disse a testemunha, a mesma lista de empresas já havia sido apresentada para outras cotações em processos de compra de ''playground e projeto som'', um projeto a ser desenvolvido nas escolas.
Segundo a servidora, diante da resistência das funcionárias da Educação em realizar a cotação apenas com as empresas indicadas, tendo, inclusive, procurado outras indústrias do ramo, a ex-secretária ''ficou brava e, inexplicavelmente, apenas as empresas da relação apresentaram preços'' que seriam analisados depois, durante o processo.
Após a eliminação das demais concorrentes, a G8 Comércio de Equipamentos e Serviços foi contratada. A empresa vencedora deveria apresentar laudos técnicos ''que atestasse a qualidade de alguns dos itens, mas essa exigência foi retirada do edital'', disse a testemunha. ''Estamos aguardando da administração cópia do procedimento licitatório, para conferir algumas informações'', disse a promotora.
Questionada porque Karin aceitava receber orçamentos, por email, sem a assinatura dos responsáveis das empresas, a servidora afirmou que a ex-secretária dizia estar seguindo orientação da Secretaria de Gestão Pública. A promotoria não descarta convocar novamente Karin para prestar depoimento.
O procedimento investigatório aberto pelo MP apura suposto parentesco entre sócios da BYD, Iridium Indústria de Confecções, Kriswill e Express e a ligação delas com a G8, que acabou sendo contratada. A reportagem não conseguiu falar com as empresas ontem. Karin também foi procurada, mas não atendeu o celular.


