O ex-coordenador da Assessoria de Relações Universitárias (ARU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Benedito Iglesias Prestes disse ontem que as contratações publicitárias e de órgãos de imprensa seguiam orientações repassadas pela reitoria da instituição, ‘‘através do chefe de gabinete Itaicy Mendonça’’.
As declarações foram prestadas à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que investiga denúncias de irregularidades envolvendo a administração da UEL. Prestes coordenou a ARU em 1997 e 1998, quando se aposentou. Itaicy é acusado de receber um estorno de um contrato publicitário com a Rádio Nova Ingá, de Maringá, e também é acusado de pedir comissão a empresários que prestam serviços à UEL.
O depoimento de Prestes colocou em em xeque as declarações do coordenador de Assuntos Financeiros (CAF), Aristeu Pereira de Carvalho. Ao depor ao MP, Carvalho afirmou que as contratações partiam da ARU. Depois, os pedidos eram encaminhados à Diretoria de Materiais da CAF e que os valores eram definidos após uma cotação de preço. ‘‘A solicitação para fazer o empenho vinha sempre do gabinete. Eu, particularmente, nunca nomeei esse ou aquele órgão de publicidade’’, afirmou o ex-coordenador da ARU.
Prestes garantiu que os serviços publicitários não eram feitos pela ARU. ‘‘Como normalmente acontece, o chefe-geral não entra em contato direto com outros órgãos da administração. Isso sempre é feito pelo chefe de gabinete’’, declarou. Por intermédio da assessoria de imprensa da UEL, Carvalho informou que estruturalmente os pedidos de publicidade são atribuição da ARU.
Em 23 de maio, durante entrevista coletiva, o reitor Jackson Proença Testa afirmou que em 1997 e 1998 as decisões sobre investimentos em mídia – peças publicitárias e veículos de comunicação – eram determinados pela agência Mercer, de Curitiba, que tinha a conta do governo do Estado.
Prestes esclareceu ainda que no início de 1997, a contratação das rádios Nova Era, de Borrazópolis; Nova Ingá, de Maringá; Nova AM, de Apucarana; (pertencentes ao ex-deputado Benedito Pinga-Fogo de Oliveira), além da Difusora, de Apucarana; e Educadora, de Cornélio Procópio, foi realizada pela ARU. Tudo teria sido feito com dados fornecidos por Itaicy, ‘‘em um comunicado informal, que não ficou arquivado.’’ Somente as rádios de Pinga-Fogo receberam R$ 16,8 mil para divulgar o vestibular de inverno, no início de 1997.
O ex-coordenador da ARU também foi questionado sobre um contrato no valor de R$ 89.250 entre a UEL e a agência Mercer. Prestes disse que ‘‘possivelmente o contrato para realização de material promocional teria sido executado pela E.P. Comunicação, de Curitiba, usada pela Mercer para terceirizar serviços.’’ Prestes não reconheceu como sendo de sua autoria as assinaturas nas notas fiscais, embora tenham usado seu carimbo. A ARU informou que irá pedir exame grafotécnico.
A comissão criada pelo Conselho Univeristário da UEL para averiguar as denúncias de corrupção ouviu dois funcionários ontem. A comissão acusa ARU de estar ‘‘dificultando’’ os trabalhos. Segundo a estudante Flávia Carvalhaes, integrante da comissão, apesar de a publicação extraordinária do boletim ‘‘Notícias’’, da UEL, ter sido feita no início da semana, a ARU não estaria fazendo a distribuição normal. O boletim contém informações sobre o trabalho da comissão e também o número da caixa postal para quem quiser fazer denúncias de irregularidades na instituição.
‘‘Imprimiram, mas não distribuíram pelo campus. Depois aceitaram enviar por malotes, mas quando se trata de edições extras do boletim, a entrega é feita pelos motoristas’’, afirmou a estudante. ‘‘É uma tentativa de impedir a divulgação da caixa postal de denúncias.’’
O coordenador da ARU, Ayoub Hanna Ayoub (que exerce cargo de confiança de Jackson), negou que a assessoria esteja atrapalhando os trabalhos da Comissão. Segundo ele, o que atrasou a distribuição do boletim foi um mal entendido. ‘‘A secretária da ARU entendeu que o boletim deveria ser distribuído pela comissão. Mas, resolvido o mal entendido, já fizemos toda a distribuição, como é feita normalmente’’, disse Ayoub. (Colaborou Cristian Oya)

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