Depoimento complica ACM e Arruda
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Agência Estado De Brasília 
Num depoimento emocionado, porém firme e contundente, a ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Borges, sustentou ontem que o painel eletrônico do Senado foi violado a pedido dos senadores José Roberto Arruda (PSDB-SP) e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), na votação que cassou o mandato do senador Luís Estevão (PMDB-DF). No depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, ela forneceu informações minuciosas sobre a operação de violação e as pressões posteriores de Arruda para manter sigilo da fraude.
Mesmo não segurando o choro no início da sessão e confessando o erro praticado, Regina Célia reagiu com calma e firmeza quando autorizou a quebra de seu sigilo telefônico, requisitada pelo relator do Conselho, Saturnino Braga (PSB-RJ), para comprovar os vários telefonemas trocados com Arruda e ACM. Com certeza, disse de imediato. Ela aceitou também a acareação com os dois senadores e o assessor de Arruda, Domingos Lamoglia, que negaram a participação na fraude. Mesmo admitindo a dificuldade de tal situação, a ex-diretora não titubeou quando disse que se submeteria à acareação para estabelecer a verdade dos fatos.
Aos senadores, Regina afirmou ter sido pressionada por Arruda a manter segredo sobre a violação do sigilo da votação que cassou Estevão. O Arruda me disse que não sabia (quem estava vazando a lista de votação), mas mandou manter sigilo até sob tortura, declarou. O depoimento provocou a queda na bolsa e uma escalada na cotação do dólar. Às 16 horas, quando ela já falava há mais de uma hora, o mercado financeiro entrou em turbulência. Preocupado com as declarações da ex-diretora do Prodasen, Lamoglia decidiu adiar seu depoimento ao Conselho de Ética, que seria tomado ontem. ACM e Arruda não assistiram o testemunho em plenário.
Aguardado com expectativa, o depoimento de Regina Borges foi usado pelos senadores para confirmar detalhes do caso. Ela sustentou os termos de sua confissão, confirmando a troca de telefonemas e encontros pessoais com os dois políticos. Em uma dessas conversas, frisou, ACM teria lhe agradecido o trabalho. Ela frisou que o fato de Arruda, então líder do governo, ter falado em nome de ACM pesou na sua decisão de conseguir a lista. É meio chato colocar em dúvida a palavra de um senador, era uma ordem do presidente do Senado, justificou.
Admitindo o erro, Regina deixou claro que, fosse outro o senador pedindo a mesma coisa em nome próprio, ela não o teria feito. Mas se outra pessoa tivesse falado em nome do senador Antonio Carlos eu teria feito a mesma coisa, reagiu. Regina Borges também disse não ter perguntado para que seria usado o documento.
Regina Borges fez um mea-culpa e disse ter consciência de que participou de uma operação ilegal. Eu não tenho orgulho de não ter dito não, frisou, com humildade. Mais controlada, respondeu com calma e segurança todas as perguntas dos senadores. Ela se esforçou para eximir de qualquer responsabilidade os três colegas que ajudaram-na a conseguir a lista com os votos.
Chorando, pediu perdão aos colegas de trabalho e tentou defender a imagem do órgão onde trabalhou por mais de duas décadas. Vivo hoje o dia mais doloroso da minha vida, afirmou. Me perdoem meus colegas, fui eu, me perdoem, disse, entre lágrimas.


