Depoentes confirmam que Banestado cobrava juros abaixo do mercado
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Rosana Félix>br>Equipe da Folha 
Curitiba - Depoimentos de três pessoas ontem, à CPI do Banestado, sustentam que o banco cometia irregularidades nos procedimentos de cobrança. Em 1998, o banco teria emprestado pelo menos US$ 4,5 milhões para três empresas brasileiras com juros inferiores ao de mercado e não teria cobrado a dívida total. O ex-diretor de Câmbio e Operações Internacionais Gabriel Nunes Pires Neto, convocado para explicar as operações, se negou a depor. Ele compareceu à sessão, mas se reservou ''ao direito constitucional de não efetuar declarações'', já que ele poderia se prejudicar.
As empresas Redran Construtora de Obras, Tucuman Engenharia e Empreendimentos e Jabur Toyopar Indústria e Comércio teriam sido beneficiadas por empréstimos autorizados por Pires Neto. A informação é do ex-gerente da agência Grand Caymán Ricardo Franczyk, que já depôs à CPI há algumas semanas. O presidente da CPI, deputado estadual Neivo Beraldin, queria fazer acareação entre Franczyk e Pires Neto na sessão de ontem, mas este não aceitou.
O sócio-proprietário da Redran, Sérgio Fontoura Marques, e a sócia da Jabur, Maria Cristina Jabur, afirmaram ontem que o Banestado ''não realizou os procedimentos normais de cobrança''. A Redran tomou emprestado US$ 1 milhão da agência Grand Caymán em agosto de 1998. Marques afirmou que pagou R$ 176 mil em dezembro de 1999 relativos a juros. O Banestado não teria feito nenhum procedimento para cobrar o empréstimo.
O depoimento de Maria Cristina não convenceu os deputados. Ela deve ser reconvocada para depor amanhã. A empresa tomou empréstimo de US$ 1,5 milhão. A CPI pretende chamar o doleiro Alberto Youssef, que era sócio da Jabur e também assinou o documento em agosto de 1998, para prestar esclarecimentos.


