Depoente sugere compra de deputados
Lúcio Horta
De Londrina
Um depoimento prestado ao Ministério Público e que até ontem era mantido em sigilo, supõe que o arquivamento da CPI da Sercomtel-Copel-FonteCindam na Assembléia Legislativa foi obtido mediante remessa de dinheiro da Prefeitura de Londrina a deputados. A CPI investigaria a venda de 45% das ações da Sercomtel S.A. para a Copel, em maio do ano passado, e também o repasse de R$ 45 milhões ao Banco FonteCindam para pagamento de um empréstimo da prefeitura no valor de R$ 22 milhões. Na ocasião, 20 deputados governistas que haviam concordado com a CPI, retiraram a assinatura do requerimento e barraram a liquidaram a comissão apenas 48 horas depois de sua instalação.
O depoimento, divulgado ontem pela OAB, foi feito em 26 de outubro de 1999 pela ex-diretora de operações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Lúcia Brandão, ao promotor Cláudio Esteves, que investiga desvio de dinheiro público. No documento, Lúcia sugere que deputados estaduais receberam dinheiro do esquema AMA-Comurb, a mando do prefeito Antonio Belinati (PFL), para abortar a CPI. A informação teria sido transmitida pelo ex-diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso.
Alonso disse que Belinati pediu sigilo absoluto e reclamava que estava sozinho, já que precisava levantar cerca de R$ 3 milhões para entregar a deputados, diz um trecho do depoimento. O diálogo entre Alonso e Belinati que também teria sido presenciado pelo ex-secretário de Governo Wilson Mandeli teria ocorrido em maio do ano passado, quando ambos Lúcia e Alonso ainda eram diretores da Comurb.
Lúcia declarou que Alonso a procurou depois do encontro com Belinati, informando que o prefeito precisaria de um favor dela: Assinar documentos alusivos a licitações e recebimentos de serviços; que Alonso também dizia que Belinati reclamou muito e estava tenso, já que havia CPI na Assembléia visando investigar a venda das ações da Sercomtel. Para levantar o dinheiro, seriam realizados 23 contratos licitatórios, na modalidade carta-convite.
O MP já comprovou que no dia 26 de maio de 99 a Comurb realizou um pagamento total de R$ 3,4 milhões para apenas cinco empresas, uma de Londrina e 4 de Curitiba, todas supostamente envolvidas no escândalo. Os serviço não foram realizados e os 23 contratos foram montados para justificar os pagamentos.
O registro do depoimento diz que Lúcia, complementou a lista (dos contratos) até atingir o número de 23, elaborando cerca de 7 objetos que tinham pouca necessidade. E mais: Que as CIs (Comunicação Interna sobre o assunto) não foram feitas no dia em que se combinou a operação, mas confeccionadas depois pelas secretárias da declarante.
Lúcia também disse no depoimento que o engenheiro Arion Cruz Santos, o Kiko, representante da empresa Esteio, de Curitiba também citada nas investigações compareceu à sede da Comurb para pegar os 23 cheques referentes às licitações. Ainda segundo o depoimento, Alonso teria informado à Lúcia que o dinheiro para pagar os contratos sairia do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi) que controla a utilização dos recursos obtidos com a venda das ações da Sercomtel via Fundo Municipal de Urbanização.





