O primeiro depoimento da CPI do Narcotráfico ontem causou surpresa pela quantidade de autoridades policiais citadas pela testemunha Marcelo Mateus dos Santos, entre elas o atual diretor geral da Polícia Civil do Paraná, delegado Ricardo Képpes de Noronha. Santos contou que Noronha, então delegado titular da delegacia antitóxicos de Curitiba, participou de pelo menos uma ação onde os policiais Pacheco, Gonçalves e Índio extorquiram um traficante vendedor de armas.
Ele disse que fez amizade com eles e recebia drogas de dentro da delegacia para consumo próprio ou para vender no centro da cidade. Santos garantiu que em pelo menos uma ação desta equipe Noronha participou efetivamente. ‘‘Eu denunciei um garoto que vendia maconha e armas no Morro da Formiga, atrás da fábrica da Trombini. Fomos ao local indicado nós quatro, mais o Noronha, e até recebi um colete e uma arma para acreditarem que eu era policial. O Noronha me chamava de ‘‘Alemão’’. Ele não entrou na casa da pessoa. Mas eu recebi parte da maconha que foi apreendida pelos outros policiais, que acabaram liberando o cara’’, relatou.
A testemunha, presa pelo Grupo Fera há duas semanas, garantiu que o tráfico de cocaína na capital paranaense é controlado exclusivamente pelos agentes policiais Reginaldo e Mauro Canuto (que seriam rivais). Os dois, afirmou Santos, distribuem a droga fornecida pelo traficante Issan Hussein, empresário de Araucária, na região metropolitana de Curitiba. O grupo, auto-denominado ‘‘Firma’’, teria a participação direta de mais dois delegados, Kyioshi Hatanda e Noel (‘‘do 7º distrito’’, indicou ele), e pelo menos outros 19 agentes da polícia civil. Santos disse aos deputados que os policiais o usavam como ‘‘isca’’ para extorquir traficantes.
Santos disse ainda que voltou a ter contato com Pacheco, Gonçalves, e Índio quando, em 1995, eles passaram a trabalhar no 11º Distrito Policial. Lá, detalhou, o delegado era Hatanda, que comandava a equipe formada pelo superintendente Paulo César (conhecido como Paulo ‘‘Paulada’’), Reginaldo, Mauro Canuto, Silas, Edimir e Germano. Ele também afirmou que participam do tráfico o escrivão Ezequiel e os investigadores Marcos ‘‘Terrinha’’, Dirceu, Wellington, Valdomiro, Lisário, Homero, Veiga, Samir e mais um outro agente que ele não identificou pelo nome.
Samir, segundo Santos, pode ser parente de Issan Hussein. ‘‘Eu vi o Issan fazendo uma churrascada no 11º D.P. onde estava todo mundo da delegacia, inclusive o delegado Kyioshi’’, garantiu. A ‘‘central’’ de vendas no centro de Curitiba seria a pizzaria Quero-Pizza, que funciona na Avenida Vicente Machado em frente a um posto de combustíveis.(R.B.N)