Depoente não consta na prestação de contas
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terça-feira, 23 de agosto de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O preposto de uma empresa de segurança afirmou ontem em depoimento à Polícia Federal (PF) que prestou serviços durante a campanha à reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT). A despesa não consta da prestação de contas entregue pelo PT à Justiça Eleitoral.
Segundo o delegado Fernando Lara que preside interinamente o inqúerito que apura denúncias de irregularidades nas contas da campanha petista a empresa teria sido citada no depoimento do motorista R.B., que procurou a PF na semana passada para relatar supostas irregularidades.
''Ele (o preposto) trouxe a comprovação de que a empresa teria prestado um serviço de segurança durante o pleito eleitoral no município no ano passado e apresentou uma nota fiscal do serviço. (A nota) não chegava a R$ 400. Seria um evento só e seria em torno de nove ou dez seguranças'', relatou o delegado. O preposto ainda teria afirmado que o contrato e o pagamento teriam sido feitos pelo ex-coordenador estrutural da campanha, Augusto Ermétio Dias Júnior. ''Os pagamentos têm sido todos anunciados e sempre aparece a figura do Augusto'', afirmou Lara.
Apesar do advogado do diretório municipal do PT, João dos Santos Gomes Filho, ter afirmado no início da tarde que o jornalista Nelson Capucho somente seria levado para depôr hoje pela manhã, ele prestou esclarecimentos no inqúerito ontem à tarde. ''O doutor Lara me ligou mais ou menos três horas, me pedindo para levar o Capucho'', justificou o advogado. Por volta das 15h30, o jornalista chegou à delegacia acompanhado do advogado e entrou pelos fundos, driblando a imprensa. Capucho foi citado no depoimento da ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia, por ter sido pago com recursos não declarados pelo PT à Justiça Eleitoral. Conforme a prestação de contas do PT, Capucho recebeu quatro pagamentos entre setembro e outubro de 2004, que totalizam R$ 4,6 mil.
No final do depoimento, Gomes Filho se dirigiu aos repórteres afirmando que Capucho estaria passando mal e que, por isso, não daria declarações. ''Eu garanto para você que por parte da Polícia Federal essa pessoa foi bem atendida, até ela pediu uma atenção especial para que entrasse até o fundo da delegacia para que não fosse escrachada, como foi o termo usado, e assim foi feito'', relatou o delegado.
Capucho também solicitou que o seu depoimento não fosse tornado público. ''Ele fez questão de deixar clara a vontade dele manifestando o direito constitucional de preservação da sua declaração. Ele pediu que a autoridade não declinasse o conteúdo do seu depoimento até mesmo para a imprensa. O inquérito na sua natureza é sigiloso, assim determina o artigo 20 do Código de Processo Penal. Ele pediu e a gente respeita'', afirmou Lara. O delegado disse apenas que Capucho admitiu ter trabalhado na campanha e ter sido pago por Bernardo Pelegrini.
Gomes Filho não comentou o depoimento do jornalista. ''No depoimento ele pediu para não divulgar para imprensa'', alegou. O advogado também não falou sobre o depoimento do preposto da empresa de segurança ''por não ter ter conhecimento do teor'' das declarações.
Para hoje estão agendados quatro depoimentos no inquérito. ''São pessoas prestadoras de serviço que constam em documentação apresentada à Justiça Eleitoral ou aquelas que por ventura tenham sido mencionadas em depoimentos e também jornalistas que trabalharam no pleito'', disse o delegado.


