Depoente aponta deputados-usuários O deputado federal Luciano Pizzatto (PFL) e o deputado estadual Neivo Beraldin (PSDB) foram citados ontem como usuários de drogas pelo traficante Gilberto Chagas Ramos (‘‘Marrom’’). O traficante disse ainda que o ex-presidente da Assembléia, Aníbal Khury, que morreu no ano passado, teve sua última campanha sustentada com recursos de bandidos ligados ao desmanche de carros. Marrom também acusou o deputado Luiz Carlos Alborghetti (PFL) de usar seu programa policial na TV para obter vantagem própria e de ter um dos filhos envolvido no tráfico de drogas, na capital. Nenhuma das denúncias foi levada a sério pela CPI, pelo menos aparentemente, pela falta de elementos. Porém, mesmo assim os deputados ficaram ofendidos com as insinuações e ontem reclamaram da superexposição e da falta de qualidade dos depoentes. Beraldin disse que nunca viu na frente a pessoa que diz ter vendido a ele cocaína. ‘‘É um traficante que tenta enxovalhar a minha família’’, protestou. O secretário-geral da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), concordou com Beraldin e disse que a ‘‘coisa’’ foi tão armada que o depoente tentou lembrar o nome de Plauto Miró (PFL), sentado perto de Beraldin, mas não conseguiu. ‘‘Senão seria o Plauto a vítima’’, considerou. A Folha tentou contato com Luciano Pizzatto, mas seu celular estava desligado. Alborghetti era o mais abalado com as insinuações. Disse que trata a dependência química do filho e que em momento algum o rapaz comercializou drogas em Curitiba. Alborghetti chorou durante alguns minutos. O deputado, que é integrante da Comissão Especial de Investigação (CEI), criada pela Assembléia para dar suporte à CPI, deve ser afastado da função, por conta do caso. Um grupo de deputados do Paraná está criticando a forma de condução dos trabalhos pela CPI do Narcotráfico. O secretário-geral da Assembléia disse ontem que ‘‘é um trabalho que merece crédito, mas que tem muito de circo’’. Assim como Brandão, muitos deputados estaduais têm feito ácidas críticas à comissão. O líder do governo Valdir Rossoni (PTB) acha que a ‘‘generalização’’ está comprometendo a credibilidade dos deputados do Paraná. (L.D.)

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