Denúncias surgiram em 2004
São Paulo - Depois de um ano de vida social agitada muitas vezes ao lado do presidente , passou um período difícil em 2004. Por duas vezes, Lula o chamou para conversas em Brasília por conta de denúncias. Em poucos meses, o ex-tesoureiro amealhou uma pequena coleção de acusações. A primeira foi a de fazer uma triangulação para o Banco do Brasil comprar R$ 70 mil em ingressos para uma apresentação da dupla Zezé Di Camargo e Luciano destinada a arrecadar verbas para a construção da nova sede do PT em São Paulo.
Logo em seguida, precisou se explicar sobre denúncia de que sua família comprara sítios de R$ 150 mil, em dinheiro vivo, em Goiás. Um mês depois, um lobista preso na Operação Vampiro que investigou fraudes no Ministério da Saúde disse que recebeu autorização do tesoureiro petista para pedir dinheiro de empresas farmacêuticas.
Delúbio disse a amigos que as broncas do presidente foram dadas em tom ameno, quase cordial. Luiz Inácio Lula da Silva teria pedido explicações e, depois, aconselhado que ele evitasse se expor politicamente.
Quando foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como o homem que agia em conjunto com o empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza em operações para comprar o apoio de deputados federais, Delúbio Soares estava voltando à superfície e à boa convivência com o Planalto. Mas já estava enfraquecido por conta das denúncias e polêmicas que o rondavam. Entre dirigentes do PT, falava-se em tirá-lo do comando financeiro da legenda e lançar sua candidatura a deputado federal por Goiás. A essa altura, o ex-tesoureiro já aparecia bem menos em público ao lado do amigo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (A.S.C.)





