O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho, já avisou a correligionários que descarta a alternativa da renúncia. Pelo menos não nos próximos dias. Aliados e adversários avaliam, no entanto, que se o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar recomendar a abertura de um processo de cassação de mandato por quebra de decoro, Jader deverá renunciar para fugir da punição.
A amigos, Jader disse que está disposto a ‘‘enfrentar’’ os senadores durante um depoimento na comissão de inquérito, responsável pela análise das denúncias de corrupção contra ele. Jader, que tem passado os dias reunido com o advogado Antonio Mariz preparando sua defesa, continua repetindo a tese de que as acusações ‘‘não passam de pirotecnia’’. Mas seus colegas estão pessimistas em relação a seu futuro político.
‘‘Sem ter prova já estava difícil, agora mesmo é que ninguém segura’’, disse um dirigente partidário ao comentar a possibilidade de o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, entrar, até a próxima semana, com um pedido de inquérito criminal contra o parlamentar paranaense no Supremo Tribunal Federal (STF) com base em informações do Banco Central e na nota técnica da 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio, que detalhou o rombo, calculado em R$ 39,2 milhões, no Banpará.
Enquanto Jader for senador, o processo por peculato é uma prerrogativa do procurador-geral Geraldo Brindeiro e deve ser ajuizado no STF. Caso Jader perca o mandato, a ação penal será transferida para os promotores paraenses.
‘‘Jader ainda está tentando se salvar no Senado’’, declarou o senador Waldeck Ornélas. Na avaliação de um oposicionista, o processo contra Jader será rápido e seus aliados não terão ‘‘mais ânimo para sair em sua defesa’’. ‘‘Mas Jader é um osso mais duro de roer, porque é mais frio’’, declarou o senador ao compará-lo ao ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que teve de renunciar para não ter seu mandato cassado em razão de seu envolvimento na fraude do painel eletrônico.

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