São Paulo - As denúncias em Santo André e o caso envolvendo Paulo de Tarso não são as primeiras a serem enfrentadas pelo PT. No ano das eleições presidenciais de 1989, o partido foi acusado de armar um suposto esquema com a construtora Lubeca, no qual o hoje deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), então vice-prefeito e secretário dos Negócios Extraordinários na administração de Luiza Erundina, estaria envolvido. A construtora teria pago uma comissão para o PT em troca da aprovação de um projeto imobiliário. Greenhalgh foi afastado da secretaria e o PT chegou apurar o caso. Por ausência de provas, foi arquivado.
Ainda entre as pedras no sapato do PT, sempre lembradas por seus adversários, está a compra de arruelas feita pela Companhia Municipal de Transportes (CMTC), também na administração Erundina. A quantia elevada de peças solicitada pela CMTC abasteceria a companhia por mais de cem anos. ''Numa empresa que administrava quase 10 mil ônibus e com 20 mil funcionários, acabam ocorrendo irregularidades, mas isso não quer dizer que houve má-fé'', diz Paulo Azevedo, então presidente da companhia. ''Todos acabaram absolvidos do processo.''
Até o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, foi alvo de acusações de irregularidades. Quando era prefeito de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foi acusado de praticar concorrência dirigida. Um dos itens da licitação para compra de cestas básicas para a cidade era um molho de tomate com ervilha, produto que teria apenas um fornecedor. O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, para quem o caso foi remetido quando Palocci foi para o governo, concluiu não haver indício de participação do ministro na suposta irregularidade.
Para o presidente do PT, José Genoino, todos esses assuntos não fazem mais parte das preocupações do partido. ''São questões antigas que já foram completamente resolvidas e não preocupam mais o PT'', diz. Segundo ele, os adversários políticos já utilizaram esses fatos exaustivamente em campanhas eleitorais. ''Não nos atrapalha.''
O presidente petista não quis responder às declarações de Paulo de Tarso. ''Paulo de Tarso é assunto resolvido dentro do PT, não vou comentar nada sobre pessoas que só querem aparecer'', disse Genoino, sem esconder a irritação.

mockup