As denúncias de que empreiteiros teriam concedido benesses a deputados federais, ministros - alvos da chamada Operação Navalha -, e, mais recentemente, ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não apenas marcam negativamente o poder Legislativo brasileiro, como também exigem explicações dos detentores de poder público investigados. A opinião é do senador paranaense Flávio Arns (PT), durante visita ontem à redação da FOLHA.
Arns se manifestou ao ser questionado sobre supostas dívidas pessoais de Renan pagas pelo empresário lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo. A informação consta de reportagem da revista ''Veja''.
Na avaliação do senador petista, o clima no Senado, nos últimos dias, ''é naturalmente de tensão''. ''Tudo isso é lamentável, mas, ao mesmo tempo, é bom que esteja acontecendo: torna as coisas mais claras, mais transparentes, e mostra que instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público estão se fortalecendo.''
Sobre as suposições em torno do presidente do Senado, Arns resumiu: ''Temos que ver o que ele alega, ainda não sei; de qualquer maneira, não apenas o senador, como os demais, têm de dar explicações - independentemente de convencerem ou não'', disse, para ressalvar: ''Mas a conduta do senador Renan (aliado do presidente Lula) sempre foi de muito diálogo e respeito, de muito zelo pela instituição.'' Entretanto, admitiu: apenas a possibilidade de qualquer envolvimento do peemedebista em eventual escândalo ''é muito ruim para a imagem do Legislativo, que sai afetada - e de uma maneira geral, no Congresso. Mas é positivo no sentido de mostrar que também detentores de poder estão sujeitos a investigação.''
Por outro lado, o petista admite que não assinou a lista pela abertura da CPI da Navalha, no Senado. Para ele, a diversidade de partidos políticos investigada afetaria a isenção dos trabalhos legislativos.
Hoje, o senador cumpre agenda em Ibiporã, ao lado do ex-secretário de Saúde do Paraná e ex-presidente nacional das Apaes, Justino Alves Pereira, e de seu chefe de gabinete, Marcos Bonato. Em pauta, discutem projetos voltados à área de saúde mental.

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