Denúncias envolvem políticos
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de novembro de 2001
Israel Reinstein<br>De Curitiba 
Os documentos entregues ao procurador de Justiça Munir Gazal, da Promotoria de Crimes contra o Patrimônio Público, do Ministério Público, apontam movimentações financeiras não declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) envolvendo secretários, deputados e jornalistas.
A maioria dos citados na lista apresentada por Requião ontem, durante coletiva na sede do partido em Curitiba, negou qualquer envolvimento no suposto caixa 2. Alguns deles prometem processar o senador por calúnia e injúria.
Acusado de receber R$ 50 mil, o deputado federal Luciano Pizzatto (PFL) declarou que o autor da denúncia vai responder na Justiça pelas acusações. O deputado disse que as declarações de que teria recebido dinheiro são infundadas. ''Suei muito na campanha e trabalhei sem receber nada'', declarou.
Outro que prometeu radicalizar foi o secretário estadual de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, acusado de receber R$ 50 mil do PFL. ''Soube que meu nome estava na lista, mas refuto qualquer vinculação neste sentido. Não tenho participação em caixa 2'', declarou. Ele pretende processar Requião.
Mesma atitude será adotada pelo ex-secretário de Comunicação dos governos Requião e Alvaro Dias, jornalista Fábio Campana, cujo nome aparece no suposto livro-caixa por receber R$ 100 mil. Ele prometeu entrar com ação na segunda-feira contra Requião. Campana disse que não concorda com as acusações e destacou que não recebeu dinheiro algum. O nome do ex-secretário de Comunicação no governo Lerner David Campos também aparece na lista. ''Eu não movimentava dinheiro. Eu coordenava o conteúdo editorial da campanha'', disse. Davi era o responsável pela comunicação na campanha do PFL e não soube informar que medida judicial vai adotar contra o senador.
O presidente do diretório estadual do PL, deputado federal Bernardino de Oliveira Filho, o Pastor Oliveira, também discorda das declarações de Requião. Mas garante que não vai acionar judicialmente Requião. ''Ele é um animal em extinção que precisa ficar na mídia para continuar vivo'', disse. ''Mas não vou dar trampolim para ele.''
O parlamentar nega ter ganho R$ 200 mil do PFL. Ele suspeita que seu nome foi colocado na lista de caixa 2 por vingança política. ''É porque prometi apoio ao senador Alvaro Dias (PDT)'', concluiu.
Procurado pela Folha o deputado estadual Carlos Simões (PTB) não foi encontrado. Contra ele, pesa a denúncia de que teria recebido R$ 335 mil, usados para compra a Rádio Brasil Tropical, em Curitiba.
Também não foi encontrado o coordenador do PTB, Emerson Palmieri, que estava em viagem. Ontem durante a coletiva, Requião acusou Palmieri de ter recebido R$ 580 mil para fornecer o apoio do PTB a Cassio.(Colaboraram Rodrigo Sais e Leandro Donatti, de Curitiba e Gilmar Agassi, de Cascavel)


