A Controladoria Geral da União (CGU) não fiscaliza municípios apenas com base nos sorteios (ver matéria nesta página). Denúncias também motivam o trabalho dos analistas em várias cidades brasileiras. No Paraná, em 2004, Sabáudia e Piraquara foram visitadas pelos auditores. A primeira, por denúncia do Ministério Público (MP)ç e, a outra, por matéria veiculada no Fantástico com relação a falhas no Programa Bolsa Família.
Em Sabáudia (20 km a noroeste de Londrina), o MP denunciou fraude em processo de licitação. Conforme a promotoria do MP, a prefeitura do município publicou edital do processo de licitação no jornal Gazeta da Cidade, de Arapongas, mas o edital circulou apenas nos exemplares que foram para a própria prefeitura para constar no processo. Nos outros exemplares, o espaço do edital foi destinado a matérias jornalísticas. A licitação era para a compra de medicamentos e a divulgação do processo era obrigatória. O valor para a compra - R$ 96 mil - veio da Fundação Nacional de Saúde.
A fraude foi descoberta por um funcionário da prefeitura que comunicou o MP. Dois analistas foram à cidade e confirmaram a falha no processo. Eles descobriram também outras irregularidades na administração do então prefeito Ilson Mendes (PFL). A empresa vencedora do processo de licitação foi a NKS Comércio de Medicamentos e Materiais Médicos Ltda. Conforme apuração da CGU, a NKS era uma empresa fantasma e a prefeitura não conseguiu comprovar a entrega dos medicamentos para a população. As pessoas que assinaram os papéis como donos da empresa disseram posteriormente terem assinado papéis em branco em troca de promessas de emprego.
Vencedor das últimas eleições, Almir Batista dos Santos (PDT) quer apagar a imagem negativa da cidade. ''Vamos fazer uma divisória entre o passado e o presente. Exigimos 100% de transparência'', declarou. Santos contou que trabalhou 10 anos como funcionário público e que teve tranquilidade na hora de montar a comissão de licitação. ''Aqui tem gente competente, o problema passado foi intencional'', destacou. O atual prefeito acrescentou que na comissão estão funcionários que fizeram cursos junto ao Tribunal de Contas (TC) e conhecem bem as regras dos processos de licitação.
Santos afirmou não querer remexer no passado recente de Sabáudia. ''Não quero perder tempo com auditorias internas porque nunca vejo resultado eficiente, com políticos devolvendo o dinheiro e sendo presos'', justificou. Entretanto, o prefeito apontou que Mendes deve responder na Justiça pelas irregularidades cometidas. (F.B.)

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