Denúncias de irregularidades causam primeira baixa na Acesf
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Fábio Cavazotti e Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Cinco dias após a divulgação das denúncias de irregularidades administrativas na Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), o superintendente Osvaldo Moreira Neto deixou ontem o cargo. Aliado do ex-vereador Orlando Bonilha (PR), Neto encaminhou ofício ao prefeito Nedson Micheleti (PT) informando que resolveu se afastar para aguardar as investigações na autarquia. A Acesf passa por auditoria completa pela Controladoria do Município e Ministério Público (MP), que apuram suspeitas de recebimento de propina por servidores públicos para forçar a venda de tanatopraxia (conservação de cadáveres) e negociação irregular de jazigos em cemitérios públicos.
Nos últimos dias, o ex-superintendente negou irregularidades na Acesf - mas ontem, em entrevista exclusiva à FOLHA, disse que três servidores já foram indiciados pela Controladoria e que, ele próprio, já ''não teria mais certeza'' de que estes não teriam de fato ''agido de uma forma estranha''.
A exoneração foi confirmada pela assessoria da Prefeitura no meio da tarde, mas o prefeito se recusou a conceder entrevista à imprensa. Fontes ligadas à administração, contudo, já antecipavam no início da tarde que Nedson teria solicitado o cargo a Neto. Em nota oficial emitida no fim do dia, entretanto, o chefe do Executivo municipal negou essa versão e disse que apenas ''aceitou'' o pedido de exoneração.
O novo superintendente da Acesf, que deve ser anunciado hoje, não deverá ser ligado ao grupo político de Bonilha. Na nota divulgada ontem, o prefeito informa que está aguardando ''procedimentos que estão sendo levantados pela Controladoria'' antes divulgar a escolha. No início da noite, Nedson já tinha convidado uma pessoa - considerada de sua confiança pessoal.
A respeito das investigações, o controlador-geral da Prefeitura, Mílson Dias, disse ontem que houve atraso no pedido de abertura de processo disciplinar contra funcionários da autarquia - previsto para ontem. Segundo apurou a reportagem, o órgão pretende acumular várias reclamações contra cada servidor para robustecer os processos, que serão conduzidos pela Corregedoria da Prefeitura.
De viagem
O superintendente demissionário da Acesf conversou com a FOLHA em sua casa, na Zona Norte de Londrina, momentos antes de viajar para Sertanópolis. Em versão diferente da divulgada pela administração, Moreira Neto admitiu que uma definição mais concreta quanto ao futuro dele à frente da autarquia já estaria ''na pauta do prefeito'' para uma reunião, com ele, no final da manhã da última terça-feira.
''Não queria criar um constrangimento para o prefeito, com quem o partido (PR) sempre somou. Mas me antecipei a ele, sim, depois que estourou tudo (na imprensa) na sexta passada'', disse, para completar: ''Fui até um pouco apressado, pois sei que eu estava na pauta dele para 11h30, meio-dia de terça. Fui logo cedinho dar uma satisfação e, à tarde, coloquei meu cargo à disposição e ele aceitou''.
Indagado se não temia qualquer possibilidade de a saída do cargo no mesmo dia em que a Controladoria anunciaria processos disciplinares ser encarado, na opinião pública, como algo minimamente curioso, surpreendeu: ''A questão do meu afastamento e o indiciamento desses três funcionários é mera coincidência. Estou deixando a Controladoria à disposição para que, amanhã ou depois, não venham dizer que eu estava sendo investigado e que, no comando, poderia ter escondido algum documento''. Três indiciamentos? ''Não é você que está me dizendo? Não vão abrir processo contra três pessoas?'', perguntou. Diante da negativa da reportagem, esquivou-se: ''Não testou sabendo se vai ter indiciamento ou não; isso a Controladoria que está vendo''. Se ele próprio acredita em culpados, dentro da Acesf? ''Sempre quis crer na idoneidade dos servidores da autarquia, mas, por ter se avolumado demais o número de denúncias, acho difícil. Não tenho mais tanta certeza: deve ter ou um ou outro agindo de uma forma diferente, nesse sentido''.
Bonilha, padrinho político de Moreira Neto e com o qual ele teria discutido a saída do posto, não foi localizado ontem pela reportagem.


