Denúncias de fraude constrangem partido
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sábado, 25 de maio de 2002
James Allen Agência Estado 
Brasília - Líder em todas as pesquisas eleitorais, o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, vê os seus próprios aliados como o Movimento dos Sem-Terra (MST), os sindicatos e seus próprios militantes causarem embaraços na corrida eleitoral.
A mais recente crise estourou na semana passada com os principais líderes do Partido dos Trabalhadores em Brasília sendo acusados de receberem parte dos R$ 20 milhões desviados da Associação dos Servidores da Fundação Educacional (Asefe), uma entidade controlada pelo partido, que recebe R$ 5 milhões por mês e tem 30 mil associados.
Primeiro, o PT teve que explicar o suposto envolvimento do ex-secretário do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, Diógenes Oliveira, com o jogo do bicho. Depois, repudiar a invasão do Movimento dos Sem-Terra (MST) à Fazenda Córrego da Ponte, em Minas Gerais, pertencente aos filhos do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Agora, o principal partido oposicionista do país se vê obrigado a provar que quer apuração rigorosa das denúncias, inclusive em uma CPI e, assim, isolar a candidatura Lula do escândalo local da Asefe. Junto com o PT, os outros partidos da esquerda em Brasília, como o PCB, PC do B, PPS, exceto o PSB, mergulharam numa crise autofágica que pode desaguar na expulsão dos militantes envolvidos.
O presidente do PT, deputado federal José Dirceu (SP) argumenta que os constrangimentos surgidos, como a invasão da fazenda pelo MST, têm servido para o PT definir sua linha de atuação em relação a cada um dos temas. No caso da invasão, Dirceu sustenta que o partido defende a reforma agrária, mas num eventual governo petista não tolerará a invasão à propriedade privada.


