Curitiba A passagem da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico e do Crime Organizado pelo Paraná, em março de 2000, que revelou a existência de uma rede de desmanches de carros furtados no Estado funcionando com a conivência de autoridades e policiais civis, não trouxe resultados efetivos. Passados quatro anos de investigações e denúncias para embasamento de ações criminais, três desmanches de empresários conhecidos continuam fechados e com guarda policial. Peças ainda nem foram periciadas.
''A manutenção de guarda nos barracões é uma determinação judicial e que não pode ser questionada. Ainda estão sendo realizadas as perícias nas peças. A perícia é lenta mesmo. Enquanto tivermos determinação judicial, manteremos nossos homens'', declarou o comandante do Policiamento da Capital, coronel Nemésio Xavier de França. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) não soube informar os motivos das determinações de guarda policial nem em que estágio estavam os processos criminais.
Levantamento feito pela reportagem mostra que os dois empresários apontados como chefes das quadrilhas de desmanche e comercialização de peças roubadas nem ao menos respondem em segunda instância a qualquer tipo de ação penal. Joarez França Costa, o ''Caboclinho'', responde atualmente quatro processos que estão em grau de recurso no TJ e foi condenado por outros dois crimes (tentativa de homicídio e uso de arma ilegal). Nenhum deles tem ligação com furto de veículos e receptação de peças roubadas.
Paulo Gilberto Pacheco Mandelli, que seria o mentor do esquema de desmaches, responde a dois processos criminais que estão em grau de recurso no TJ um por corrupção ativa e outro interposto pelo Poder Judiciário de Miami (EUA). Os fatos analisados pela CPI do Narcotráfico não constam nos processos que já estão no TJ. Mandelli está foragido desde 2000.
O procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa coordenou todo o trabalho de investigação e denúncia contra 32 supostos envolvidos no crime organizado depois da passagem da CPI do Narcotráfico pelo Paraná. Ele informou que foram oferecidas denúncias contra os dois empresários por causa dos desmanches de veículos roubados, entretanto, os processos ainda estariam tramitando em primeira instância. ''É humanamente impossível dar conta de todos os processos em andamento. São muitos processos e pouca estrutura.''
Abilhôa não escondeu, no entanto, a frustração em ver que após quatro anos as denúncias ainda não geraram condenação efetiva. ''Mas temos que acreditar que no final os culpados pelos crimes praticados no Paraná serão punidos.''

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