O primeiro semestre da Câmara de Londrina também ficou marcado por uma ''pauta policial'', com a prisão de um vereador e casos de tentativa de suborno denunciados por outros dois parlamentares. Tanto a abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic quanto a derrubada da Lei da Muralha ocorreram por pressão de denúncias de corrupção envolvendo pessoas ligadas à administração pública e empresários.
O ano começou a ficar movimentado quando o vereador Eloir Valença (PHS) se ausentou da votação para abertura da CP da Centronic, no dia 19 de abril. Até aquele momento, a base oposicionista tinha 12 votos para abertura da investigação e contava com o apoio de Eloir Valença para obter os 13 votos necessários - já que o PHS tinha fechado questão pela abertura da CP.
Com a falta de Valença, a votação foi adiada. A partir daí, houve uma série de denúncias e prisões de pessoas ligadas à administração pública, comandada pelo então prefeito Barbosa Neto (PDT). No dia 24 de abril, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu em flagrante o ex-secretário de Governo e de Gestão Pública Marco Cito e o empresário Ludovico Bonato, que teriam oferecido dinheiro ao vereador Amauri Cardoso (PSDB) para que o tucano votasse contra a abertura da CP. A denúncia foi feita pelo próprio Amauri Cardoso.
No dia 1º de maio, o então chefe de Gabinete do prefeito Rogério Ortega Lopes e o então diretor de Participações da Sercomtel, Alysson Tobias Carvalho, também foram presos por envolvimento na mesma denúncia. Eloir Valença foi preso no mesmo dia por suposta corrupção passiva. Ele teria aceitado vantagens do grupo para integrar a base governista na Câmara. Diante do cenário estremecido, Barbosa Neto foi até a Câmara para liberar a base governista na votação sobre a CP da Centronic, que acabou então aberta no dia 26 de abril.
Eloir Valença, quatro dias após sua prisão, foi afastado do cargo de vereador pela Justiça. Ele ficou afastado por 20 dias, retornando à Câmara após obter uma liminar.
Outro fato que movimentou o semestre e ajudou na aprovação de um projeto na Câmara foi a prisão do empresário Anderson Fernandes, acusado de tentar subornar o vereador Roberto Fú (PDT), para que o pedetista não polemizasse sobre a Lei da Muralha. Com a denúncia feita pelo próprio Roberto Fú, seu projeto de lei que revogava a Lei da Muralha acabou aprovado pela Câmara e sancionado pelo então prefeito Barbosa Neto.
A tramitação da proposta que revogava a Lei da Muralha na Casa não era o único alvo do Gaeco, que também apurava a existência de tentativas de ''compra de votos'' em projetos de autoria do Executivo, como o que previa anistia de uma dívida milionária da Unopar. Após as denúncias, o projeto da Unopar foi retirado de pauta por tempo indeterminado pelo então líder do prefeito, vereador Sebastião dos Metalúrgicos (PDT). (P.B.O.)

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