Denúncias de corrupção agitam governo
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Denúncias de corrupção e mau gerenciamento da máquina pública estão movimentando os bastidores do governo Roberto Requião (PMDB). O governador, que chegou do exterior no último final de semana, no primeiro dia oficial de expediente no Palácio Iguaçu, ontem, demitiu o diretor administrativo-financeiro da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudersha), Francisco Hermes Dias, e o tesoureiro da empresa, Roberto Luiz Pereira, depois que uma investigação constatou desvios na superintendência.
Segundo foi apurado pela Corregedoria e Ouvidoria do Estado, órgão comandado por Luiz Carlos Delazari, os dois autorizaram o pagamento de várias notas fiscais contra a Sudersha, referentes a compras inexistentes. Constatou-se ainda sumiço de equipamentos e o diretor administrativo financeiro da empresa admitiu o desvio de 12 pneus de caminhão. Segundo o Palácio Iguaçu, que comunicou a demissão à noite, Requião recebeu a denúncia há semanas, quando pediu investigação.
Por ordem de Requião, Luiz Carlos Delazari também está apurando outra denúncia grave, feita por um fornecedor de merenda escolar de Cascavel e recebida pela Secretaria de Estado de Educação. A denúncia refere-se a uma suposta cobrança de propina por um funcionário da Secretaria de Estado dos Transportes e filiado no PMDB. O mesmo teria pedido R$ 60 mil para liberar uma compra de R$ 700 mil em merenda. O pagamento da propina teria sido efetuado em três cheques de R$ 20 mil, dois deles sustados porque o funcionário do governo não teria conseguido a liberação da compra.
Outra mexida na administração estadual, anunciada pelo governo, envolve o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento - Lactec. O conselho do Lactec se reúne amanhã em Curitiba para escolher nova diretoria, hoje presidida pelo ex-ministro Alceni Guerra.
O Lactec tem como instituições associadas a UFPR, ACP, Fiep, o Instituto de Engenharia do Paraná, e a Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). A Copel fazia parte da associação, mas teria se retirado, conforme informou Alceni, em entrevista à Folha, semana passada.
As entidades que mantêm o Lactec não admitem oficialmente, mas na interinidade de Orlando Pessuti (PMDB), pediram ao então governador em exercício a cabeça de Alceni e do primeiro escalão do instituto. A forma de conduzir o Lactec e os cortes de R$ 12 milhões ao ano anunciados por Alceni causaram descontentamento. Junto com Alceni, caem o diretor de Operações, José Marques Filho; o diretor de Desenvolvimento Tecnológico, Mário José Dalavalle, e o diretor Administrativo e de Finanças, Antonio Romão Montes.
A Folha não conseguiu repercutir as denúncias de corrupção na Sudhersa, a suposta cobrança de propina, e as mudanças do Lactec, porque as informações foram divulgadas pelo governo à noite, quando não havia mais expediente nas repartições públicas.


