A liderança do PT na Câmara entrou no início da noite de ontem com duas representações no Ministério Público Federal para que sejam investigadas as denúncias de que o governo federal foi vítima de chantagem e de escuta telefônica. As representações são baseadas em duas reportagens publicadas nesta semana pela revista ‘‘Época’’. ‘‘O governo está sendo vítima de chantagens por isso interessa à Nação esclarecer os fatos’’, justificou o líder do PT, deputado Marcelo Déda (SE). ‘‘Não existe chantagem sem chantagista: temos que encontrar essas pessoas’’.
Segundo a primeira reportagem, telefonemas do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, foram gravados. Algus deles contendo inclusive conversas com o presidente Fernando Henrique. Na segunda reportagem, o então candidato do PPB ao governo de São Paulo, Paulo Maluf, teria oferecido ao presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, documentos que provariam que Fernando Henrique, o governador tucano Mário Covas, e o ministro da Saúde, José Serra, além do ministro Sérgio Motta, morto em abril, seriam sócios de uma firma instalada nas Ilhas Cayman.
Segundo o líder do PT, só o Ministério Público, com a ajuda da Polícia Federal, terá condições de investigar os fatos de forma confiável já que Agência Brasileira de Inteligência (Abin), subordinada a Casa Militar, sequer foi criada. ‘‘Eles conseguiram encontrar as fitas, mas até agora não localizaram o responsável pelos grampos’’, critica Deda.
‘‘O governo não investiga o próprio Governo’’. Em relação aos documentos, ele lembra que eles foram obtidos pela campanha de Paulo Maluf. ‘‘Ou seja, alguém pagou pelos documentos, o que torna mais fácil localizar o chantagista’’, insinua Déda.

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