Denúncias da Operação Carne Fraca unem oposição e governo na AL
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segunda-feira, 20 de março de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba As denúncias da Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal (PF), repercutiram ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Tanto membros da bancada aliada ao governador Beto Richa (PSDB) como da oposição subiram à tribuna para apontar possíveis excessos cometidos por parte da PF e da imprensa na divulgação dos fatos. Segundo o órgão, empresas do setor estariam envolvidas em um megaesquema de corrupção que liberava a comercialização de alimentos produzidos por frigoríficos sem a devida fiscalização sanitária.
Alguns dos 54 parlamentares atualmente com mandato na AL representam ou têm envolvimento direto com produção e exportação de carnes. "Fiz a primeira exportação de carne do Brasil, em 1999, de Aparecida de Goiânia (GO) para o Chile. Hoje o Brasil exporta 100 toneladas só para o Chile por ano. Vai demorar muito para recuperarmos mercado (
) É uma ação completamente despropositada. O diretor da PF em Brasília deveria pedir desculpas. Quem cometeu crime tem que pagar. Agora, não dá para matar uma cadeia produtiva como essa", opinou o líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB).
O líder oposicionista, Tadeu Veneri (PT), foi na mesma linha. Disse apoiar as ações de fiscalização, mas criticou a forma "sensacionalista" como as informações foram divulgadas, tanto pela PF como pela própria mídia. Para Nelson Luersen (PDT), houve uma "generalização" dos fatos. "Mais de 90% do setor trabalha de forma séria, cumprindo com todas as normas técnicas", comentou. O pedetista sugeriu a realização de uma audiência pública sobre o tema, já na próxima semana, em horário e local a serem definidos.
Dono de uma exportadora em Itajaí (SC), Guto Silva (PSD) falou que já é possível sentir os "efeitos nocivos" da operação. "O dano à imagem é muito forte. Para a construção de um produto que é a base alimentar, um elemento muito importante é a confiança. Quando você coloca em risco todo o sistema de vigilância animal e sanitária, você rompe o padrão de confiança do consumo. O produto brasileiro será afetado sim. Haverá prejuízo material, como renegociação ou cancelamento de contratos, e tem algo ainda pior em médio e longo prazo, que é o prejuízo à imagem do produto".


