Curitiba - Documentos que ligam o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, ao consumo de drogas e que mostram que o irmão do secretário, Carlos Emiliano Ferreira Delazari, teria sido favorecido quando preso com drogas no presídio do Ahú, em 2002 em Curitiba, causaram alvoroço ontem na Assembléia Legislativa. Os papéis foram entregues pelo líder da oposição Valdir Rossoni (PSDB). Informações não oficiais davam conta que estes seriam os documentos que o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, preso no mês passado por tráfico internacional de armas e formação de milícias, teria em mãos quando denunciou Delazari em seu depoimento na CPMI da Terra. A Comissão de Segurança da Assembléia deve convocar todos as pessoas citadas nos documentos para dar explicações.
Em um dos documentos, o comandante geral da Polícia Militar (PM) do Paraná, coronel David Antonio Pancotti, assinou um ''termo de declarações'' ao Ministério Público (MP) estadual afirmando que a sua enteada, que na época (maio de 2003) era psicóloga da Casa Militar, o informou que tinha ''ouvido uma conversa na Casa Militar de um oficial que comentava que o atual secretário de Seguranaça Pública, Dr. Delazari, era um 'cheirador' de cocaína''. Delazari justificou o documento alegando que ele próprio havia pedido a investigação por causa das acusações que estavam fazendo contra ele e que o depoimento de coronel é apenas um dos documentos do inquérito e que, solto do restante, dá a entender o que não é verdadeiro. Já Pancotti se irritou ao saber da divulgação do documento e afirmou apenas que vai processar o MP por divulgar tal papel.
Os demais documentos tratam da prisão do irmão de Delazari com drogas no presídio do Ahú, em 2002. Rossoni divulgou o Boletim de Ocorrência (BO) feito pela PM na época e alegou que o flagrante não foi lavrado depois pela Polícia Civil. O presidente da Comissão de Segurança da Assembléia, Mário Sérgio Bradock (PMDB), que já foi delegado, afirmou que vai chamar todos os envolvidos para saber por que não foi feito o flagrante, já que no BO da PM consta que Emiliano Delazari foi preso com 12 papelotes de cocaína, o que configura tráfico de drogas, crime hediondo.
O secretário de Segurança afirmou que o inquérito foi instaurado na época e que a pedido do MP a Justiça arquivou por falta de provas. Na época Luiz Fernando Delazari era promotor da Promotoria de Investigação Criminal (PIC). ''Se houve tráfico de influência quem o fez vai ter que pagar'', afirmou Bradock.
Questionado sobre a declaração do coronel Pancotti e se realmente houve o pedido por parte do MP do arquivamento do processo contra o irmão de Delazari, o MP afirmou, por meio de sua assessoria, que não vai se pronunciar porque a questão tem cunho político.

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