Agência Folha
De São Luís
O sargento da Polícia Militar Antonio Lisboa Corrêa, testemunha que denunciou o envolvimento de um irmão do deputado Augusto Farias (PPB-AL) no crime organizado no Maranhão, afirmou que está recebendo ameaças de morte na cadeia. Corrêa está preso no quartel da PM de São Luís (MA). A TV Mirante exibiu ontem bilhetes jogados dentro de sua cela. ‘‘Caveira, quem te matou foi a língua’’, diz um deles. Outro: ‘‘Ovo não briga com pedra’’.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado da Assembléia Legislativa, Corrêa disse que a Fazenda Flor de Santana, do empresário José Rogério Cavalcante Farias, irmão do deputado Augusto Farias, era usada como quartel-general de uma quadrilha que agiria em 14 Estados no roubo de cargas, tráfico de armas e drogas.
Como delegado de Nova Olinda (365 km de São Luís) na época, Corrêa começou a investigar roubos de cargas, mas acabou aderindo à organização. Ele confessou ter participado de reuniões na fazenda, onde eram decididas as ações criminosas.
Considerado uma das principais testemunhas do crime organizado no Estado, Corrêa disse estar arrependido de ter feito as denúncias. ‘‘Quem comandava os crimes aqui no Maranhão eram o Zé Gerardo, o Caíca e o Hemetério. Estou com medo de todas eles’’, afirmou. ‘‘Não estou me sentindo seguro. Tenho medo demais de morrer.’’ Caíca deve ser cassado e preso na próxima semana. Hemetério Weba, ex-deputado, está preso. Zé Gerardo (leia acima) tentou se matar.

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