BRASÍLIA - Dos cinco deputados do Acre denunciados por vender seus votos favoráveis à reeleição - Ronivom Santiago, João Maia, Zila Bezerra, Osmir Lima e Chicão Brígido - pelo menos quatro são ligados ao governador, Orleir Cameli (sem partido). Ele é acusado, com o governador Amazonino Mendes (PFL-AM), de pagar R$ 200 mil por voto favorável à reeleição, segundo denúncia publicada ontem pela ‘‘Folha de S. Paulo’’.
A eleição de Cameli foi apoiada por Ronivon Santiago (PFL), um ex-jogador de futebol que conseguiu empregar seu irmão, o vereador Carlinhos Santiago como secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado. O outro irmão de Ronivon é o deputado Elson Santiago, do bloco de apoio ao governo na Assembléia Legislativa do Acre.
Zila Bezerra (PFL) é mulher do ex-senador Aluisio Bezerra (PMDB) e ex-adversário político de Cameli. Diplomata de carreira, começou a dedicar-se à política filiando-se ao PMDB, partido pelo qual o marido foi eleito no ano passado prefeito de Cruzeiro do Sul. Depois de duas legislaturas como deputada federal pelo PMDB, Zila entrou no PFL, partido de apoio a Cameli.
João Maia também é ligado a Cameli desde sua eleição, em 1994. Ex-militante da esquerda, começou a atuar no sindicalismo com o líder seringueiro Chico Mendes e foi um dos fundadores da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag) no Estado. Depois filiou-se ao PMDB, PDS, PSD e atualmente é do PFL.
A compra de votos de deputados não é a primeira denúncia contra o governador do Acre, Orleir Cameli (sem partido). No Superior Tribunal de Justiça (STJ) tramitam cinco inquéritos e uma notícia-crime contra Cameli por falsidade ideológica, desvio de recursos públicos e irregularidades em licitações. A Procuradoria-Geral da República também avalia várias outras acusações contra o governador.
Logo no primeiro ano de governo Orleir Cameli foi acusado de desviar recursos ao assinar um convênio com a prefeitura de Cruzeiro do Sul, onde foi prefeito por dois anos. O inquérito foi encaminhado ao STJ, que espera parecer do Ministério Público. O governador também responde por falsidade ideológica, por ter quatro CPFs (Cadastro de Pessoa Física) e dois números de carteira de identidade.
Em agosto de 1995, a Receita Federal apreendeu, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, um Boeing da Marmud Cameli, empresa da família do governador do Acre. No avião havia peças de reposição contrabandeadas.

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