Denunciados por bando e concussão depõem amanhã
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sábado, 05 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Estão marcados para amanhã, a partir das 9h30, os primeiros interrogatórios judiciais dos cinco vereadores e ex-edis denunciados de supostamente se aliciarem em bando para cobrar propina de empresários a fim de agilizar ou votar projetos de lei na Câmara Municipal de Londrina. As audiências acontecem perante o juiz substituto da 3 Vara Criminal, Marcos José Vieira, que, no final de fevereiro, recebeu a denúncia formulada dia 16 de janeiro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra Henrique Barros (sem partido), Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB). Destes, Barros e Bonilha já renunciaram. Os demais estão afastados das funções parlamentares por decisões de primeira e segunda instâncias, além de terem sido denunciados em nova ação de concussão e formação de quadrilha, semana passada (à exceção de Vedoato), ou em ações de improbidade administrativa (todos eles).
O processo na Justiça teve início a partir da prisão de Barros, dia 9 de janeiro, de posse de R$ 9,9 mil supostamente oriundos de pagamento de propina de empresários. Em depoimentos ao Gaeco, Carlos Messas, Alexandre Fontana Guimarães e Maurício de Biagi admitiram ter destinado a Barros, desde dezembro passado, cerca de R$ 40 mil para que projetos de lei que os beneficiaram (respectivamente de alteração de zoneamento, alteração no Código de Posturas e doação de terreno público) fossem agilizados e votados; caso contrário, sofreriam retaliações. No depoimento no dia da prisão, Barros disse que o dinheiro seria entregue em envelopes a Bonilha durante suposta reunião em uma ante-sala do Legislativo - momento em que estariam presentes os outros três parlamentares. No depoimento, o ex-peemedebista classificou Bonilha como ''centralizador'' da suposta propina arrecadada, o que gerou processo político na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar contra os quatro, na Câmara, mas livrou três: apenas Bonilha enfrenta investigação de uma Comissão Processante (CP).
Quando recebeu a denúncia - no mesmo dia em que a Comissão de Ética entregou relatório à Mesa recomendando a cassação de Bonilha -, o juiz da 3 Criminal apontou no despacho serem ''sérios os indícios de que os denunciados implantaram no recinto da Câmara uma organização criminosa com o objetivo de obter vantagens econômicas valendo-se da potestade de seus cargos''.
A partir das audiências, segundo a chefia de cartório da Vara, será então aberto prazo para apresentação das defesas prévias e arrolamento de testemunhas - oito para cada réu. Até o final da tarde da última sexta-feira, nenhuma das defesas havia protocolado pedido de adiamento do interrogatório, mas sim apresentado as argumentações. A FOLHA apurou que, entre a documentação, está um ofício manuscrito por Barros e com firma reconhecida, entregue à Câmara em fevereiro, no qual ele nega a confissão feita ao MP quando da prisão.
Depoimentos
Vedoato disse que vai reafirmar ao juiz ''o que já disse ao Ministério Público (MP)''. ''O próprio Henrique reconhece que não é verdade o que ele disse; vai ser por aí o que vou falar. Fico só chateado com o despacho do Tribunal (de Justiça, que manteve a liminar de afastamento concedida em primeira instância), mas tenho certeza que, saindo a sentença do juiz, até maio eu já esteja liberado para participar das convenções de junho e sair candidato novamente'', aposta.
Indagado sobre a expectativa diante da audiência, Bergamin foi enfático: ''Está ótima''. Depois, despejou, de um só fôlego: ''Não fui em sala nenhuma, não participei de reunião nenhuma, não vi envelope algum, nunca reparti dinheiro - vou repetir as mesmas palavras que já disse ao MP; aí o juiz analisa se sou inocente ou não''. Em seguida, pediu: ''Põe aí na tua reportagem: Deus é maior''.
A FOLHA tentou contato com Bonilha e Barros, mas eles não foram localizados. A reportagem também deixou recado para seus respectivos advogados, Ronaldo Neves (que estaria, na sexta, em audiência em Curitiba) e Antônio Carlos Coelho Mendes (cuja secretária não quis dar outro contato, além do próprio número do escritório), mas eles não retornaram os pedidos de entrevista.


