Denunciados ficaram surpresos Emerson Dias De Foz do Iguaçu Especial para Folha Luiz Gilmar da Silva, um dos delegados citados durante os depoimentos da CPI, que trabalha como adjunto na Central da Polícia Civil de Foz do Iguaçu, disse ontem que ficou surpreso com as denúncias feitas contra ele pelo ex-policial e traficante Humberto Aparecido Terêncio. Silva é delegado há sete anos e foi transferido para Foz em outubro do ano passado. Ele foi denunciado pelo depoente por suposto envolvimento com o desmanche de carros na capital, que disse ainda haver uma espécie de taxa para os delegados que pretendem trabalhar perto da fronteira, onde o interessado desenbolsaria US$ 5 mil para poder usufruir das vantagens em se conseguir produtos contrabandeados e propinas na região, localizada próxima ao Paraguai. O delegado disse que Terêncio carrega consigo o desejo de vingança. ‘‘Antes de vir a Foz, trabalhei no setor de carceragem dos policiais presos e condenados. Acho que o rigor com que cuidei daquela área deixou ele com uma mágoa pessoal contra mim’’, comentou Silva, explicando que, por determinação judicial, o ex-policial não recebia visitas e permanecia 24 horas na cela. Terêncio foi condenado a 25 anos de prisão por tráfico de drogas e cumpre pena em Curitiba. O delegado-chefe da Polícia Civil de Foz do Iguaçu, Luiz Fernando Artigas, disse que confia totalmente no trabalho de Silva e que vai esperar uma notificação oficial sobre o afastamento determinado pelo governador Jaime Lerner. Questionado sobre a suposta taxa denunciada por Terêncio, Artigas disse que nunca ouviu falar da cobrança e citou sua própria transferência como exemplo. ‘‘Quando foi definido minha vinda para Foz, eu nem estava sabendo. Quem me informou foi um colega’’, finalizou. Outro pessoa citada na CPI e que mora em Foz do Iguaçu é o empresário Roberto Cezar Morenico. Ele foi citado como suposto fornecedor e traficante de maconha na fronteira, usando para isso uma de suas empresas instaladas no Paraguai. A Folha não conseguiu entrar em contato com o acusado, que teria um mercado e uma distribuidora de bebidas no país vizinho.