O deputado estadual missionário Ricardo Arruda (PL) atribuiu a uma "retaliação" por parte do Ministério Público do Paraná (MPPR) a divulgação de uma denúncia criminal oferecida contra ele e três ex-assessores, todos suspeitos dos crimes de tráfico de influência, desvio de dinheiro público e associação criminosa.

Bolsonarista, Arruda disse que um setor do MPPR tem "viés ideológico de esquerda" e desafiou seus opositores a "continuarem a guerra".

O MPPR ofereceu a denúncia em 7 de janeiro de 2020. O processo tramita no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná. Arruda ê suspeito de fazer parte de um "esquema criminoso", segundo o MPPR, "que envolveria o uso do gabinete parlamentar para o cometimento de ilícitos". Os fatos investigados teriam ocorrido entre outubro de 2016 e 2017.

De acordo com a denúncia, o deputado usava o cargo para interferir em decisões administrativas do executivo estadual e recebeu dinheiro de um empresário e de policiais militares no período. Arruda é suspeito de ter atuado para reintegrar policiais, impedir punições ou ajudar em promoções. O MPPR não indica valores exatos, mas o total recebido seria de aproximadamente R$ 400 mil no período.

O parlamentar também é suspeito de desviar recursos da Assembleia Legislativa do Paraná (AL) para pagar funcionários que trabalhavam para ele, sustenta o MPPR. Para isso, teria usado um jornal de propriedade de um pastor evangélico que, segundo a denúncia, emitiu notas fiscais reembolsadas pela AL, no valor total de R$ 17.635.

DEPUTADO VÊ RETALIAÇÃO

Na terça-feira (14), depois que o sigilo do processo foi retirado pela Justiça, Arruda atribuiu a divulgação do caso a uma suposta retaliação por parte do MPPR. Segundo ele, a "revolta" do órgão foi motivada por um ofício protocolado no dia 27 de fevereiro deste ano na Assembleia, em que o deputado pede informações sobre o pagamento de "diárias e adicionais salariais" a membros do MPPR, o que poderia configurar improbidade administrativa.

Outro motivo da "perseguição", segundo ele, seria a lei que proíbe o passaporte vacinal no estado, que o deputado afirma ter sido desrespeitada pelo MPPR. A lei, no entanto, foi aprovada em abril de 2022, mais de dois anos depois do oferecimento da denúncia contra o deputado. Arruda, um dos autores da lei, atribuiu a morte de uma menina de 11 anos à vacina contra a Covid-19, em Londrina, em abril do ano passado.

"Chamei as três promotoras de assassinas", disse o deputado em pronunciamento nesta quarta-feira na AL. "Covardes, canalhas que não respeitam uma lei estadual". Para Arruda, que é apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, parte do MPPR tem "viés ideológico de esquerda" e setores da imprensa o perseguem por ser conservador. "Mas tentem, vamos continuar essa guerra", desafiou.

O parlamentar disse ainda que a Rede Globo quer atingir sua imagem por ter denunciado que o nome do filho do apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, constava como solicitante do Auxílio Emergencial pago pelo governo federal. Bonner informou posteriormente que os dados de seu filho foram usados indevidamente e comunicou o caso à Polícia Federal.

Em nota, o advogado de Ricardo Arruda, Jeffrey Chiquini, alegou que uma ex-assessora do deputado usou indevidamente o nome do parlamentar para obter vantagens pessoais. Depois de exonerada, ela teria feito acusações falsas contra Arruda para se vingar. "Não há nenhuma prova do envolvimento do deputado. Todos os sigilos foram quebrados e nada de ilícito foi localizado", afirmou Chiquini.

Por meio de sua assessoria o MPPR informou que não vai se manifestar a respeito das acusações feitas por Ricardo Arruda.

O governo do Paraná, que segundo o MPPR teve agentes públicos influenciados em suas decisões por Ricardo Arruda, também preferiu não se manifestar, por não ser polo na ação. Nenhum deputado comentou o assunto ontem. Na terça, Arruda foi afastado da presidência do PL de Curitiba, por decisão da direção estadual do partido.

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