Denunciado na ZR-3, ex-secretário do Ambiente deixa de usar tornozeleira
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quinta-feira, 01 de março de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
O juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina, Delcio Miranda da Rocha, revogou nesta quarta-feira (28) a tornozeleira eletrônica de Cleuber Moraes Brito, ex-secretário do Ambiente na administração de Alexandre Kireeff. Ele é uma das 13 pessoas denunciadas pelo Ministério Público na Operação ZR-3, ou Zona Residencial 3, que apura a suposta formação de um esquema de corrupção que favoreceria vereadores, ex-secretários municipais e empresários do setor imobiliário para mudanças pontuais de zoneamento na cidade. Segundo os promotores, eles estariam envolvidos em 15 delitos, como corrupção ativa, passiva e organização criminosa.

Esta foi a segunda decisão favorável aos alvos da ZR-3 em menos de uma semana. Na última sexta (24), foi a vez da ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Ignês Dequech, obter o direito de retirar o aparelho de monitoramento. Nas duas ações, o argumento usado pelas defesas é o mesmo. Assim como Dequech, Brito integrava o Conselho Municipal da Cidade (CMC), mas pediu o desligamento do órgão assim que a operação foi deflagrada.
Além disso, o advogado Rodrigo Antunes sustentou que o Ministério Público, após o indeferimento da prisão temporária pela 2ª Vara Criminal, logo no início da ZR-3, e o oferecimento da denúncia, não solicitou a aplicação de outras medidas. "Em razão disso, pedimos à Justiça a desobrigação das cautelares, principalmente a tornozeleira. Sobre o CMC, ele (Brito) pediu a sua exclusão para demonstrar transparência no processo". O ex-secretário afirmou que não voltará a atuar no conselho, onde representava o Departamento de Geociências da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Ele é professor da instituição.
Segundo o MP, Cleuber Brito, dono de uma empresa de consultoria ambiental, tinha um papel decisivo no suposto esquema na formulação dos chamados EIVs (Estudos de Impacto de Vizinhança). A Justiça entendeu que os fatos imputados ao acusado "são menos lesivos, resultando em um risco menor à ordem pública". Como está fora do CMC e obrigado a não se aproximar das sedes da Câmara e a prefeitura, Brito estaria "neutralizado" em desenvolver levantamentos técnicos.
Apesar de não ter mais que usar a tornozeleira, a distância de prédios públicos será mantida. "Com o transcorrer da ação penal, vou pedir a exclusão do Cleuber do processo. Ele explicou detalhadamente qual era a função da empresa dele quando foi interrogado no Gaeco", completou o advogado. Outros 11 réus continuam com o monitoramento eletrônico, como os vereadores Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). Para o Ministério Público, eles eram os chefes da possível organização criminosa.
Cleuber Brito permaneceu pouco mais de um ano no governo Kireeff. Em fevereiro de 2014, ele pediu demissão da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) por motivos particulares e terminou substituído pela servidora de carreira Maria Silvia Cebulski. Na época, o ex-prefeito disse que ficou "surpreso" com a saída de Brito.


