Denúncia transforma vida de Silvana
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 1998
Giovani Ferreira 
Celso MargrafProcessoJocelito Canto: denúncia pode levar prefeito a perder o mandatoTrabalho, estudo, família e amigos. Silvana de Lourdes Felipe, 26 anos, secretária que está acusando o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto, de estupro, garante que sempre teve uma vida normal como qualquer outra pessoa da sua idade. Tudo o que eu queria era um trabalho, agora quero Justiça", diz a moça, justificando o porquê de ter aceito a proposta para secretariar o prefeito.
Moradora da pacata cidade de Castro, distante 40 quilômetros de Ponta Grossa e autora da denúncia, no último dia 12, Silvana viu sua vida passar por uma transformação radical. Em entrevista à Folha ela conta que sua vida parou no tempo. Tudo o que eu fazia e também o que pretendia fazer teve que ficar para trás, avalia.
Celso MargrafPânicoSilvana: medo levou estudante a se esconder na casa de advogados
A estudante deixou a residência dos pais para passar a se esconder na casa de seus advogados, por insegurança e temor a uma represália. Hoje não tenho endereço certo e nem posso fazer nada sozinha, explica a moça, que diz sentir-se ameaçada pelo prefeito. Não sei do quê essa gente é capaz", comenta.
Consciente de que será difícil ter uma vida normal depois da exposição a que se propôs, Silvana pensa em deixar Castro para recomeçar numa outra cidade qualquer. É com esta justificativa que a moça considera justo o pedido de indenização de R$ 300 mil, por danos morais, que ajuizou. Diz que tudo o que mais quer é o fim do pesadelo.
Filha de família humilde, ela lembra que sempre procurou ganhar seu próprio dinheiro. Conta que deixou a casa dos pais para trabalhar e estudar, sempre pensando em progredir na vida. Quando deixou Castro pela primeira vez, em 89, passou a morar em Ponta Grossa e trabalhar no Banorte.
A moça que acusa o prefeito de violência sexual estudou no Colégio São Luiz, onde concluiu o 2º grau. Trabalhou no Bamerindus, atual HSBC, e cursou o primeiro ano do curso de Administração de Empresas na Faculdade Cristo Rei. Ao deixar o banco, Silvana diz ter sido obrigada a abandonar a faculdade. Ela explica que só conseguia pagar o curso porque o banco custeava 50% da mensalidade.
Depois de Ponta Grossa, Silvana foi para Curitiba, onde diz ter trabalhado em uma corretora de seguros que funcionava dentro da concessionária Servopa, revendora da Volkswagen. Na capital, ficou dois anos dividindo apartamento com uma amiga. O custo de vida era alto, resolvi voltar para a casa de meus pais, lembra.
Silvana conta que nunca foi de ter muitos namorados, mas sempre que namorou foram relações duradouras. Lembra que com seu último namorado - rapaz de Ponta Grossa, que ela prefere preservar o nome - relacionou-se por mais de três anos.
Ela resolveu procurar emprego na prefeitura, através do engenheiro Oscar Pereira, que foi quem lhe apresentou pela primeira vez ao prefeito. Só aceitei o trabalho para secretariar Jocelito Canto no Rio de Janeiro porque tinha o consentimento de meus pais e confiava na idoneidade que deveria ter o prefeito de Ponta Grossa", observa.


