Curitiba - O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, lamentou as denúncias envolvendo o patrocínio cubano na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As denúncias foram publicadas na Revista Veja desta semana, com a confirmação de dois ex-auxiliares da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), que era administrada por Antonio Palocci (atual ministro da Fazenda).
Cerca de US$ 3 milhões teriam vindo do governo cubano para o Brasil entre agosto e setembro de 2002 acondicionados em três caixas de bebida. O mais provável é que o caso seja investigado pela CPI do Caixa 2, recém-instalada. ''Não sei a quem competirá investigar. Mas não tenho medo de ir a fundo nessas investigações, doa a quem doer. Tivemos coragem de denunciar 19 parlamentares para serem julgados pelo Conselho de Ética. Não iremos nos omitir. Prova disto é o 'valerioduto' que temos investigado. A verdade é que todas essas denúncias estão cada vez mais arranhando a imagem do governo federal'', comentou Serraglio, segunda-feira em Curitiba.
Apesar das denúncias contra a campanha de Lula, o presidente segundo Serraglio não pode ser convocado para depor. ''Quem diz o contrário não conhece legislação. Ele (Lula) não pode ser convocado, nem convidado. Nem mesmo como testemunha. Ele pode sim ser cassado. Podemos abrir processo de impeachment. Mas nunca poderemos interferir no Poder Executivo e obrigá-lo a depor. Não acho que hoje fosse possível um impeachment porque não há mobilização popular para isto'', ponderou o parlamentar. Para Serraglio, os resultados das investigações já permitem classificar a CPMI como vitoriosa. ''A verdade é que essa CPMI não acabou. E se acabasse agora, não teríamos pizza para servir.''
A estatal paranaense de energia elétrica (Copel) também é assunto de investigação da CPMI. Ela está sendo analisada sob prismas diferentes por corrupção que teria havido no governo anterior e por casos ocorridos neste ano. As informações ainda estão sendo mantidas sob sigilo. ''Já aprovamos diversos pedidos de quebra de sigilo e vamos analisar todos os documentos que forem recebidos. O assunto está em pauta. O que envolve a Copel é basicamente lavagem de dinheiro e pega os dois governos. Um em contratos irregulares e está sendo analisado na subrelatoria de movimentações financeiras e outro que envolve a Interbrasil e que teria ocorrido no início do atual governo. Não iremos decepcionar'', disse o peemedebista.

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