Curitiba – Os procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que atuam na Operação Lava Jato devem apresentar ainda no primeiro semestre deste ano a denúncia referente à formação e atuação do cartel de empresas em obras da Petrobras. A expectativa é de que seja uma acusação histórica, envolvendo cerca de 23 empreiteiras e fornecedoras da estatal, além das seis já citadas em processos que já tramitam na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba.
Executivos da OAS, Engevix, UTC, Camargo Côrrea, Galvão Engenharia e Mendes Júnior, já foram citados em ações penais sobre os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa; e devem ser novamente denunciados juntamente com representantes de outras grandes empresas do setor. Para isso, os procuradores estão trabalhando conjuntamente com representantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
"Historicamente o cartel evolui e cresce, varia muito de época e circunstância das obras. Queremos fazer uma denúncia muito boa e, por isso, estamos juntando diversos materiais porque não basta somente a palavra de um colaborador, é um conjunto de provas", ressaltou o procurador da República, Carlos Fernando dos Santos Lima.
A sétima fase da Lava Jato, deflagrada em novembro e que prendeu executivos e funcionários de empreiteiras só foi possível devido à colaboração de pelo menos dois executivos do Grupo Toyo-Setal (Augusto Ribeiro de Menonça Neto e Júlio Gerin de Almeida Camargo) e do ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco Filho.
Segundo as investigações, há indícios de que ao todo 16 empresas fariam parte do suposto cartel formado para fraudar licitações, corromper agentes públicos e desviar recursos da Petrobras, que se organizava em uma espécie de "clube", com regras de "torneio" para fatiar obras públicas entre 2004 e 2012. "A partir de 2006, admitiu-se o ingresso esporádico de outras companhias no denominado clube", destacam as denúncias já realizadas pelos procuradores, chegando ao total de 23 empresas.
"Os frutos amadurecem em épocas diferentes, vamos produzindo provas e, no momento certo, apresentamos novas denúncias. Temos muito o que fazer e ainda há muito o que avançar em investigações referentes a outros órgãos e obras públicas", completou o procurador.
Em junho do ano passado a "Folha de Londrina" já havia antecipado que a força-tarefa do MPF-PR havia solicitado à PF a abertura de 31 novos inquéritos dentro da operação Lava Jato. Entre eles, 23 miravam especificamente empresas que teriam alguma relação com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e com o doleiro Youssef. Nesse grupo de 23 empresas há desde as gigantes, como Odebrecht, a prestadoras de serviço à Petrobras de médio porte, mas que podem ter cometido crime e se tornarem peças importantes no conjunto.

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